novo texto


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

POSIÇÃO E ESTADO


POSIÇÃO E ESTADO – A distinção entre esses dois termos é de grande importância se quisermos ter uma compreensão das Escrituras do Novo Testamento – especialmente das epístolas. Posição e estado referem-se a dois lados da verdade em uma infinidade de assuntos, e distinguir isso requer alguém que "maneja [divide] bem a palavra da verdade" (2 Timóteo 2:15). Se não distinguirmos essas coisas, iremos chegar a conclusões equivocadas.

POSIÇÃO – Isso tem a ver com a situação de uma pessoa em relação a Deus. Há apenas duas posições possíveis que os homens podem ter diante de Deus:
o    "Em Adão" (1 Cor. 15:22).
o    "Em Cristo" (Rom 8: 1).

Por recebermos o Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador, nossa posição diante de Deus é definitivamente mudada de estar "em Adão" para estar "em Cristo". É uma posição em "graça" eternamente estabelecida (Romanos 5:1-2 1 Cor. 15:1; 1 Pedro 5:12). É perfeita e completa agora como sempre será! Não será mais perfeita quando entrarmos no céu. Ter uma posição diante de Deus "em Cristo" significa que o crente está no lugar de Cristo diante de Deus (Efésios 1:6; 1 João 4:17). (Ver Aceitação e Em Cristo.)

ESTADO (Filipenses 2:19-20) – Isso tem a ver com a condição moral do crente. Se caminharmos perto do Senhor em comunhão com Deus, estaremos em um bom estado de alma. Mas se formos descuidados e indiferentes às reivindicações de Cristo em nossas vidas e vivermos distantes d’Ele em nossa prática, o estado de nossa alma será ruim. Não é  necessário dizer que nosso estado terá um efeito no nosso andar.
As exortações práticas nas epístolas, que têm a ver com o nosso estado, são baseadas em nossa posição em Cristo. Por exemplo, Colossenses 3:9-10 diz: "Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos E vos vestistes do novo, que se renova [renovado – J.N.Darby] para o conhecimento, segundo a imagem daqu’Ele que o criou". O fato de que fomos despidos do velho homem e vestidos do novo (que tem a ver com a nossa posição) deve nos exercitar sobre não mentirmos mais uns aos outros – porque aquilo que é verdade da nossa posição também deve ser verdade em nosso estado. Assim, enquanto a nossa posição em graça diante de Deus é inabalável, nosso estado espiritual de alma pode variar, dependendo de como caminhamos.
Em Filipenses 4:11, Paulo falou de estar "contente" com "as circunstâncias” em que ele se encontrava. Não devemos confundir o que ele estava dizendo neste versículo. Ele não estava se referindo ao seu estado espiritual, mas sim ao seu estado temporal – suas circunstâncias, isto é, quanto à posse ou falta de bens materiais. Paulo nunca incentivaria satisfação com um baixo estado espiritual.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Como mencionado, ao estudar os vários assuntos da Escritura devemos ter cuidado em "manejar [dividir] bem a palavra da verdade" (2 Timóteo 2:15). A cada assunto que nos deparamos, precisamos distinguir o que se refere à nossa posição e o que se refere ao nosso estado. Se não nos preocuparmos com isso, ficaremos confusos muito rapidamente. Podemos ser levados a pensar que a Bíblia se contradiz. Os seguintes são alguns exemplos:

Perfeição – Hebreus 10:14 diz que a obra de Cristo na cruz nos "aperfeiçoou para sempre". Mas Hebreus 13:20-21 diz que Deus está buscando tornar o crente "perfeito" – indicando, então, que os crentes não estão atualmente perfeitos! Isso parece contraditório, mas quando entendemos que a primeira citação refere-se à nossa posição e a última ao nosso estado, o problema é resolvido.

Santidade – Em Colossenses 3:12, os crentes são chamados de "santos e amados", mas em 1 Pedro 1:16, somos exortados: "Sede santos". Novamente, essas passagens parecem entrar em conflito uma com a outra, mas quando entendemos a distinção entre posição e estado, vemos que não há contradição. A primeira passagem aplica-se à nossa posição, e a segunda ao nosso estado.

Aceitação – Em Efésios 1:6, é dito que os crentes são "agradáveis [aceitos] a Si no Amado", mas em 2 Coríntios 5:9 (JFA – Atualizada) nos diz que "nos esforçamos ... para lhe sermos agradáveis". Mais uma vez, essas coisas não são uma contradição; a primeira tem a ver com a nossa posição e a segunda com o nosso estado.

Santificação - Em 1 Coríntios 1:2, é dito que os crentes são "santificados em Cristo Jesus", mas em 2 Timóteo 2:21, nos é dito que se nos separarmos dos vasos para a desonra, seremos "santificados". A primeira refere-se à nossa posição e a segunda ao nosso estado.

Salvação – Em Atos 16:31 nos é dito para "crer" no Senhor Jesus Cristo para ser "salvo", mas em Filipenses 2:12, nos fala para "operar, efetuar" a nossa "salvação". Devemos crer para obter salvação ou devemos trabalhar para obtê-la? Novamente, a resposta está na compreensão de que uma se aplica a nossa posição e outra ao nosso estado.

Purificação – Em Hebreus 1:3 e 9:14, é dito que os crentes são purificados pela fé na obra consumada de Cristo, mas em 2 Timóteo 2:21, devemos nos purificar a nós mesmos. Mais uma vez, temos a diferença entre posição e estado.

Morto com Cristo – Em Romanos 6:2, diz que os crentes são "mortos", mas em Romanos 8:13 e Colossenses 3:5 nos é dito que os crentes devem "mortificar as obras do corpo". Novamente, isso só pode ser entendido pelo conhecimento da diferença entre posição e estado.

Uma pessoa ficará totalmente confusa ao tentar entender esses e muitos outros tópicos bíblicos, que poderiam ser incluídos aqui, se não souber a diferença entre posição e estado.

SONO


SONO - Existem três formas principais pelas quais sono é usado no Novo Testamento:

1) SONO FÍSICO – Isso tem a ver com uma pessoa tendo o seu descanso de noite (Mateus 8:24; 13:25; 26:40; Atos 12:6; 20:9, 1 Tess. 5:7, etc.).

2) O SONO DA MORTE – Isso tem a ver com o espírito e a alma de um crente sendo separados de seu corpo por meio da morte (Mateus 9:24; 27:52; João 11:11; At 7:60; 13:36 1 Coríntios 11:30; 15:6, 51; 1 Tessalonicenses 4:14; 5:10, etc.). Esse tipo de sono pertence ao corpo do crente (Mateus 27:52), não ao seu espírito e alma que "vivem para Ele" após a morte (Lucas 20:38 – Trad. Brasileira). O corpo é adormecido na morte "em Jesus" (1 Tessalonicenses 4:14). Isto é, Ele induz os Seus amados à morte quando Ele os chama para Si. Isso nos mostra que a morte para o crente não ocorre por acidente.
Há pelo menos três razões pelas quais um crente adormece na morte:
o    O seu trabalho pelo Senhor está terminado (Atos 13:36; 2 Tim. 4:6-7; 2 Pedro 1:14).
o    Sua morte é para a glória de Deus – pelo martírio (João 11:4; 21:18-19; Fil. 1:20).
o    Ele é tirado da Terra pela morte sob a mão disciplinadora do Senhor (Atos 5:1-11; 1 Coríntios 11:30; 1 João 5:16).

3) SONO ESPIRITUAL – Refere-se a um estado de apatia espiritual ao qual um crente pode chegar por causa da influência do mundo (Marcos 13:36; Romanos 13:11; 1 Tessalonicenses 5: 6, Efésios 5:14, etc.).

PECADOS E PECADO


PECADOS E PECADO - Como regra nas epístolas do Novo Testamento, "pecados" (plural) referem-se às más ações que os homens fazem, e "pecado" (singular) é a natureza caída nos homens (a carne). Assim, "pecados" são ações más, enquanto "pecado" é a natureza má. O primeiro é o que fazemos, e o segundo é o que somos. Assim, "pecados" são manifestações do "pecado", ou "pecados" são o produto do "pecado", ou "pecados" são os frutos de uma árvore má e o "pecado" é a raiz dessa árvore má. O "pecado" é mais do que apenas a velha natureza do pecado; É aquela natureza má com uma vontade determinada a satisfazer suas concupiscências.
Outra diferença entre estas duas coisas é que os "pecados" podem ser "perdoados" pela graça de Deus (Romanos 4:7), mas o "pecado" não é perdoado, mas sim é "condenado" sob o justo julgamento de Deus (Romanos 8:3). É importante prestar atenção a esta distinção ao ler as epístolas; se não o fizermos, sairemos com algumas ideias equivocadas.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

HUMANIDADE SEM PECADO DE CRISTO, A


HUMANIDADE SEM PECADO DE CRISTO, A – Isso se refere ao Senhor Jesus Cristo tendo uma natureza humana incapaz de pecar. Isso não toca precisamente a questão se Ele pecou em Sua vida (o que, sem dúvida, Ele não o fez), mas se Ele tinha uma natureza que fosse capaz de pecar. Enquanto todos os Cristãos concordam unanimemente que Cristo não pecou, ​​muitos pensam que Ele poderia ter pecado, se Ele assim escolhesse. Mas essa falsa ideia ataca a impecabilidade da Pessoa de Cristo e é um grave erro que afeta a doutrina de Cristo.
Quando Cristo veio ao mundo (Sua encarnação), Ele tomou a humanidade (um espírito humano, uma alma humana e um corpo humano) em união com Sua Pessoa. Esta união das naturezas divina e humana é inescrutável (Mateus 11:27). Ao fazê-lo, Ele não tomou a natureza humana inocente que Adão teve antes da queda. Aquela natureza era sem pecado, mas não tinha o conhecimento do bem e do mal, e era capaz de pecar – o que Adão infelizmente demonstrou (Romanos 5:12). Cristo não poderia ter tomado essa natureza porque ela já não existia em seu estado inocente no momento da Sua chegada ao mundo. Ela tinha sido corrompida pela desobediência de Adão e estava caída. Nem Cristo poderia ter Se unido a Si mesmo com essa natureza em seu estado caído, pois, ao fazê-lo, teria levado o pecado à Sua Pessoa, e assim Ele teria deixado de ser Santo. Se Ele tivesse feito isso, teria deixado de ser Deus, porque santidade (a ausência do mal) é um dos atributos essenciais da divindade! (Isaías 6:3; Apocalipse 4:8) A Bíblia indica que Deus preparou para Ele uma "Santa" humanidade – espírito, alma e corpo (Lucas 1:35; Heb. 7:26; 10:5). Sendo Santo, o Senhor Jesus teve uma natureza humana que não podia pecar.
Então, desde a queda de Adão, quando falamos de uma pessoa que pecar – independentemente de quem possa ser – traz imediatamente à discussão, a pessoa tendo a natureza pecaminosa que produziria esses pecados. Os pecados, como sabemos, são o produto do pecado (a natureza). Por isso, dizer que o Senhor Jesus poderia pecar (embora Ele não o tenha feito) implica dizer que Ele teve a natureza caída do pecado! Esta é uma suposição terrivelmente equivocada que a Palavra de Deus certamente não ampara.
As seguintes referências mostram que Cristo não participou da humanidade caída, embora Ele certamente tenha Se tornado um Homem:
1 João 3:5 diz: "n’Ele não há pecado". Esta declaração única da Palavra de Deus resolve a questão se Cristo poderia pecar. Ela nos diz que Ele não tinha a natureza pecaminosa em Si mesmo e, portanto, Ele não tinha a possibilidade de cometer pecados.
Em Lucas 1:35, em conexão com a encarnação do Senhor, o anjo que veio a Maria disse: "o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus". Isso nos diz que a essência de Sua natureza como homem é "Santo". Isso não pode ser dito de nenhum outro homem. Nós não nascemos santos (Salmo 51:5).
Em Lucas 3:23 (Trad. Brasileira), ao traçar a linhagem do Senhor até Adão, a Escritura diz: "Ora o mesmo Jesus, ao começar o Seu ministério, tinha cerca de trinta anos, sendo filho (como se julgava) de José". A frase "como se julgava" é inserida no texto pelo Espírito Santo para mostrar que o Senhor não era o filho natural de José; Ele era apenas seu filho legal. Ele foi "concebido" pelo Espírito Santo, e não por José (Mat. 1:20).  O fato de a Escritura afirmar que José não tinha nada a ver (biologicamente) com a concepção do Senhor, mostra o cuidado que Deus toma em guardar contra qualquer pensamento de que Cristo tenha herdado a natureza caída do pecado passada a Ele através dos descendentes de Adão.
Romanos 8:3 diz: "Deus, enviando a Seu próprio Filho em semelhança de carne de pecado e por causa do pecado, condenou o pecado na carne". Mais uma vez, vemos que a Escritura tem cuidado em proteger a humanidade de Cristo, afirmando que a Sua vinda em humanidade foi "em semelhança de carne de pecado". Assim, Ele não tinha "carne de pecado", mas estava apenas em "semelhança" dela. Ou seja, por todas as aparências exteriores, Ele Se parecia com qualquer outro homem (Heb 10:20), mas, interiormente, Ele não tinha a natureza do pecado.
Hebreus 2:6 diz: "Que é o homem, para que dele Te lembres?" Esta é uma citação do Salmo 8. O salmista fica maravilhado com a graça de Deus que se importa com homens. A palavra aqui para "homem" no hebraico é "Enosh". Ela indica o estado fraco e frágil do homem – implicando uma condição caída e degenerada. O salmo prossegue dizendo: "...ou o filho do homem, para que o visites?". Isto refere-se à visita de Deus à raça humana na Pessoa de Seu Filho (Lucas 1:78). Nota: nesta ocasião, o salmista usa uma palavra diferente para "homem" no hebraico daquela que ele havia usado anteriormente. Aqui é "Adão", que não carrega as conotações de "Enosh". Isto significa que, quando Cristo visitasse a humanidade, ao Se tornar um Homem, não seria no estado do degenerado "Enosh".
Hebreus 2:14 diz: "E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou [tomou parte] das mesmas coisas". Aqui novamente, as Escrituras guardam cuidadosamente a humanidade sem pecado de Cristo. Mais uma vez, as Escrituras usam duas palavras diferentes no grego para distinguir entre homens caídos que participam da humanidade e Cristo que tomou parte na humanidade. A primeira palavra (koinoneo), traduzida como "participam", refere-se a uma participação completa em algo. É usada neste versículo para denotar o tipo de participação na humanidade que todos na raça de Adão têm. E como é uma total participação, necessariamente incluirá a participar da natureza caída do pecado. A outra palavra (metecho) é traduzida como "tomou parte" (J.N.Darby e King James),  que significa participar de algo sem especificar a profundidade da participação, é usada para denotar a participação que Cristo teve na humanidade. Ele tomou parte na humanidade, mas não ao ponto de participar da natureza caída do pecado, que todos os outros homens têm. (Veja a nota de rodapé na tradução de J. N. Darby sobre este verso.)
Em Hebreus 4:15, no que diz respeito às provas e as tentações do Senhor em Sua senda terrenal, o escritor diz: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém Um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado [apartado do pecado]". Infelizmente, lendo este versículo como está na tradução King James (e em muitas das traduções modernas – n.t.: e na maioria das em Português), parece que está dizendo que o Senhor não cometeu nenhum pecado em Sua vida. Mas este não é o assunto do verso. A frase "mas sem pecado" deve ser traduzida "apartado [separado, desassociado] do pecado". Separado do pecado significa que Suas tentações não estavam na classificação das tentações que tinham a ver com a natureza pecaminosa. Existem dois tipos de tentações às quais os homens estão sujeitos: há tentações e provações (provas santas) externas pelas quais a fé e a paciência de alguém são testadas, e há tentações internas que resultam de alguém ter uma natureza de pecado (provas pecaminosas). (Veja Tiago 1:2-12 e Tiago 1:13-16.) O escritor de Hebreus está simplesmente afirmando que o Senhor foi tentado de todos os modos que um homem justo poderia ser tentado, mas não na classe de tentações que estão conectadas com a natureza interior do pecado. A razão para isso é óbvia – Ele nunca teve a natureza de pecado. J.N. Darby disse: "Há dois tipos de tentações: uma vem de fora – todas as dificuldades da vida Cristã. Cristo passou por elas duma forma muito mais intensa do que qualquer um de nós. O outro tipo de tentação é quando um homem é levado por sua própria concupiscência e seduzido. Cristo, é claro, nunca teve isso" (Notes and Jottings, p.6). 
Em João 8:46, o Senhor disse aos Seus acusadores: "Quem dentre vós Me convence de pecado?". Ninguém poderia provar que Ele tinha aquela natureza caída, porque ninguém poderia apontar para um único pecado que Ele houvesse cometido.
Em João 14:30, o Senhor anunciou aos discípulos: "se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em Mim". Ele estava se referindo à vinda de Satanás para molestá-Lo e amedronta-Lo, mas Ele assegurou-lhes que não havia nada "em" Ele (isto é, a natureza do pecado) que respondesse aos seus ataques.
Tiago 1:13 diz que "Deus não pode ser tentado pelo mal". Assim, a santidade é um atributo intrínseco de Deus (Isaías 6:3, Apo. 4:8). Se quando Deus, na Pessoa de Seu Filho, Se tornou um Homem (1 Timóteo 3:16), tivesse Se tornado capaz de ser tentado a fazer o mal, então Ele teria renunciado a um dos Seus atributos essenciais na divindade. Portanto, se a doutrina que afirma que Cristo poderia pecar é verdadeira, então Cristo deixou de ser tudo o que Ele era como Deus ao Se tornar um Homem! Isso é blasfêmia!
1 João 3:9 diz: "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a Sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus". Este versículo está falando sobre o crente tendo uma nova natureza (resultante de um novo nascimento) que não pode pecar. João explica que isso é assim porque, sendo gerados por Deus, temos "Sua semente" em nós. Isso confirma o que todo Cristão já conhece - que a "semente" (ou a vida) de Deus não pode pecar. Portanto, como Cristo é "Deus manifestado em carne" (1 Timóteo 3:16), então segue-se naturalmente que Ele não poderia pecar – porque Deus não pode pecar! O que poderia ser mais claro do que isso?

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

três objeções principais a esta verdade sobre a humanidade de Cristo:

1) Aqueles que sustentam que Cristo poderia ter pecado, mas não pecou, pensam que é roubar o Senhor da Sua glória de obediência dizer que não poderia pecar. Eles dizem que se isso fosse verdade, então, Cristo não obteria crédito (nenhuma glória) pela Sua vida de perfeita obediência ao Pai, porque Ele não podia fazer nada além do que era certo.
Para a razão humana, pode parecer que estas coisas referentes à humanidade de Cristo estão roubando-O de glória, mas, na verdade, ensinar que Ele poderia pecar ataca a impecabilidade de Sua Pessoa e macula Sua glória. Não somos mais sábios do que a Palavra de Deus. Quando nossa razão humana nos leva a conclusões que estão em conflito com as Escrituras – o que faz esta doutrina – devemos abdicar de nossos pensamentos e aceitar o que a Escritura diz como a autoridade final, pois ela é a infalível Palavra de Deus (Salmo 12:6; João 10:35).

2) Os que sustentam que Cristo poderia ter pecado, mas não pecou, apontam para as tentações do Senhor no deserto, e perguntam: "Qual foi o propósito de ter Cristo passando por essas tentações quando Ele não poderia falhar?" A resposta é que elas não eram para Deus descobrir se Cristo iria ou não pecar. Ele conheceu Sua perfeição sem pecado e pronunciou Sua aprovação sobre Ele - "Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo" antes de ter sido tentado (Mateus 3:17-4:11). Se as tentações fossem com o propósito de descobrir se Cristo pecaria ou não, então o pronunciamento de Deus teria sido depois que Ele passasse pela tentação. Seria, por assim dizer, Seu "selo de aprovação" na perfeita obediência de Cristo. Mas essas tentações não eram para Deus; Eles são para nós vermos e sabermos, além de qualquer sombra de dúvida, que Cristo não poderia pecar. Se Ele tivesse qualquer tendência em Si para o pecado, isso teria se manifestado sob tentações tão intensas – mas nada foi manifestado além da perfeição moral.
Onde muitos estão confusos quanto a isso, é o pensamento de que "tentado" (Mateus 4:1) perde o seu significado se não envolve a possibilidade de pecar. Mas isso é um erro. Tentar significa testar, e nem todos os testes implicam a possibilidade de falha. Suponha que havia um objeto valioso feito de ouro fino - era ouro 100% puro. Mas a autenticidade foi contestada. Então, para provar o que já sabemos, o fazemos testar por um joalheiro. E com certeza, ele volta certificado como sendo 100% puro. Por que o objeto foi testado? Sabíamos do que era feito o tempo todo. Obviamente, o teste foi para aqueles que tiveram alguma dúvida sobre ele. Da mesma forma, com as tentações do Senhor, todos esses testes apenas provaram o que era verdadeiro n’Ele - que Ele não podia pecar. Essas provas que o Senhor sofreu são registradas na Escritura para nós, para que nós possamos conhecer esse fato abençoado sobre o Filho de Deus.

3) Alguns que consideram que Cristo poderia ter pecado, mas não pecou, dizem que não pode haver uma verdadeira humanidade sem que uma pessoa tenha a capacidade de pecar, porque é uma característica essencial do ser humano. Eles dirão que ensinar que Cristo não podia pecar é dizer que Ele não era um homem real. Eles acreditam que ensinar isso rouba a Cristo a capacidade de simpatizar-Se conosco em nossas tentações de concupiscência e pecado. No entanto, a verdade é que há muitas coisas que experimentamos na vida, como homens, que o Senhor nunca experimentou. Mas isso não significa que Ele não fosse um homem real. Também isso não O desqualifica de ser um Sumo Sacerdote que Se compadece. Por exemplo, nós experimentamos enfermidades (doenças), mas o Senhor não. Nós experimentamos a alegria do perdão, mas o Senhor nunca precisou de perdão. Ele nunca Se casou, nem criou filhos, mas Ele era (e é) um Homem real. Por que pensamos que Ele teria que ter todas essas experiências antes que Ele pudesse ser considerado como um Homem real?
Hebreus 4:15 é frequentemente citado para suportar esta ideia equivocada. Diz que o Senhor foi  "como nós, em tudo foi tentado", o que (em suas mentes) incluiria a tentação de pecar. No entanto, aqueles que dizem essas coisas negligenciaram o fato de que o escritor inspirado qualifica essas tentações dizendo "apartado do pecado" – isto é, tais tentações relativas ao pecado eram de uma classe separada. Isso significa que as tentações do Senhor não foram daquela categoria. Se tivessem lido este versículo com mais cuidado, eles também teriam visto que o escritor se refere a provações em conexão com nossas "enfermidades", que são doenças corporais (Mateus 8:17; João 5:5; Romanos 8:26; 2 Coríntios 12:5). Enfermidades não são tentações de pecar. Notemos também que, embora o Senhor não tenha tido enfermidades pessoalmente (Ele nunca esteve doente), o versículo diz que Ele pode Se simpatizar com nossas enfermidades. Isso mostra que é uma falsa suposição de que Cristo não poderia ter sido um homem verdadeiro sem experimentar tudo o que experimentamos.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

O raciocínio nessas ideias blasfemas é absurdo. Pense nas ramificações de Cristo poder pecar. Se Ele pudesse pecar quando Ele estava na Terra, então Ele poderia pecar agora no céu – pois a Escritura diz que Ele é "o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Heb 13:8; Atos 1:11). Longe seja o pensamento, mas se Ele fosse pecar agora, Ele certamente seria expulso do céu, como Satanás uma vez foi! E o que aconteceria conosco? Nós perderíamos tudo – nosso Salvador, nossa salvação e todas as nossas bênçãos – porque tudo o que temos está "em Cristo"! Se essa má doutrina fosse verdadeira, não estaremos eternamente seguros, como a Escritura ensina (João 10:27-28), porque a qualquer momento Cristo poderia pecar e perderíamos nosso Salvador. Além disso, se Cristo pecou, ​​que parte de Ele iria ao inferno? Porque na Sua encarnação, houve uma união da natureza humana e da natureza divina que nunca pode ser desfeita.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

SEPARAÇÃO

SEPARAÇÃO - Refere-se à convicção do Cristão em manter-se afastado do mundo – tanto no sentido religioso quanto no secular. Seguem algumas razões pelas quais Deus insiste na separação na vida de um Cristão:
Em primeiro lugar, a separação é necessária porque a associação com o mundo resultará na diminuição do afeto do crente por Cristo e Seu povo. Resumindo, trará frieza à sua alma. Em 2 Coríntios 6:12-18, o apóstolo Paulo explica que nossos "afetos" tornar-se-ão "estreitados" (limitados) se negligenciarmos caminhar em separação do mundo. Este efeito triste é visto na vida de Efraim, que "com os povos se mistura" (Oséias 7:8). O resultado foi que ele se tornou "como uma pomba enganada, sem entendimento" (Oséias 7:11). Sua associação com o mundo levou seu coração para longe do Senhor.
Em segundo lugar, a associação com o mundo estraga o apetite do crente pela Palavra de Deus. Vemos isso ilustrado na história de Israel no deserto. Deus lhes deu o "maná" por sua comida (Ex. 16). O Novo Testamento nos diz que o maná é um tipo de Cristo – o alimento espiritual para o crente (João 6:31-58). No entanto, houve um tempo em sua jornada pelo deserto quando eles se cansaram do maná, e isso era a razão de estarem desejando os alimentos do Egito – um tipo do mundo (Números 11:4-6). Assim, os crentes que desejam os prazeres mundanos e os entretenimentos acabarão estragando o seu apetite pela Palavra de Deus.
Em terceiro lugar, a associação com o mundo dessensibiliza os padrões morais do crente. O Cristão que se associa com as pessoas mundanas será influenciado por elas. Ele começará a pensar e agir como elas, e os valores mundanos e padrões morais delas se tornarão seus. A Palavra de Deus diz: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes" (1 Coríntios 15:33). Os padrões morais de Ló caíram ao nível dos homens de Sodoma (Gênesis 19). Isto é visto no fato alarmante de que ele ofereceu suas filhas aos homens da cidade.
Em quarto lugar, a associação com o mundo dificulta o crescimento espiritual do crente. Mais uma vez, isso é visto na vida de Efraim que se misturou entre os gentios. O resultado foi que ele era como um "bolo que não foi virado" (Oséias 7:8). Ou seja, era como uma panqueca meio-cozida – sendo apenas meio-desenvolvido.
Em quinto lugar, a associação com o mundo faz com que o Cristão perca sua energia espiritual em sua vida pessoal. Josué advertiu o povo em seu tempo que, se eles se estabelecessem entre os ímpios cananeus, perderiam o poder de resistir a eles (Josué 23:12-13). Eles não poderiam mais ficar de pé diante de seus inimigos. Mais uma vez, com Efraim, diz: "Estrangeiros lhe devoraram a força" (Oséias 7:9). Sansão é outra ilustração disso. Por sua associação com a jovem filisteia mundana (Dalila), "retirou-se dele a sua força" (Juízes 16:19).
Em sexto lugar, a associação com o mundo fará com que o crente perca seu discernimento espiritual. Mais uma vez, o exemplo de Efraim ilustra isso. Diz: "Estrangeiros lhe têm devorado a força, e ele não o sabe; cabelos brancos se lhe espalham pela cabeça, e ele não o sabe" (Oséias 7:9 – Trad Brasileira). Tendo se associado ao mundo, tornou-se insensível ao seu estado pessoal. Havia decadência espiritual, e ele não sabia disso! Aconteceu o mesmo com Sansão. Ele não parecia saber que também havia perdido sua força.  "Porque ele não sabia que já o SENHOR se tinha retirado dele" (Juízes 16:20). Os laodicenses também estavam desprovidos de discernimento quanto ao seu verdadeiro estado e imaginavam que estavam certos e bem, mas seu estado era realmente desagradável para o Senhor (Apocalipse 3:14-22).
Em sétimo lugar, a associação com o mundo acabará por afastar completamente o crente de seguir o Senhor! Os filhos de Israel são um exemplo. Eles não deveriam se misturar com as nações na terra de Canaã, as quais não conheciam o Senhor, porque aquelas pessoas iriam afastá-los do Senhor (Deuteronômio 7:1-4). Eles não observaram esse aviso e foi exatamente o que aconteceu.

E, finalmente, a associação com o mundo destrói o testemunho pessoal do crente. Ló é um exemplo. Ao viver em Sodoma (um tipo desse mundo em sua corrupção moral) ele perdeu seu poder de testemunho. Quando foi chamar seus genros para saírem daquela cidade que estava sob julgamento, suas palavras lhes pareceram "como quem estava zombando" (Gên 19:14 – Trad. Brasileira). Eles não o levaram a sério porque sua vida contava outra história. Os Cristãos geralmente não se mantiveram separados do mundo e, como resultado, um testemunho deficiente tem sido dado perante todo o mundo. É uma maravilha que alguém se volte para o Senhor e seja salvo. Gandhi, da Índia, disse que, se (o Cristianismo) não fosse só para os Cristãos, ele teria se tornado um!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

SELADO COM O ESPÍRITO SANTO

SELADO COM O ESPÍRITO SANTO – Este termo refere-se ao Espírito Santo habitando em uma pessoa quando esta crê "no evangelho da sua salvação" (Efésios 1:13; 4:30; 2 Coríntios 1:22). Ela entende que foi assinalada como sendo de Cristo e, como resultado, tem um entendimento consciente de que a salvação de sua alma está eternamente segura.
O selo do Espírito não tem tanto a ver com os outros sabendo que somos de Cristo, mas sim conhecemos nossa segurança n’Ele. H. P. Barker disse: "A ideia principal relacionada com o selo nas Escrituras é a da segurança. Algo é selado para torná-lo seguro para o seu dono" (The Holy Spirit Here Today, p. 33). O "penhor do Espírito" (2 Coríntios 1:22; 5:5, Efésios 1:14) e a "unção do Santo" (1 João 2:20, 27) também se referem à presença permanente do Espírito, mas têm a ver com diferentes funções do Espírito no crente. (Veja Penhor do Espírito e Unção.)
Para muitos Cristãos não é claro quando o selo do Espírito acontece na vida de uma alma com Deus. A maioria pensa que uma pessoa recebe o Espírito Santo ("ungido", "selado" e dado como "penhor" – 2 Cor. 1:21-22) quando nasce de novo (vivificado). No entanto, não é isso o que as Escrituras ensinam. Uma pessoa vivificada ou nascida de novo não será ungida, selada ou terá o penhor do Espírito até que ela descanse na obra consumada de Cristo. Vivificação e selo são duas ações distintas do Espírito que não ocorrem ao mesmo tempo na vida de uma pessoa com Deus. Uma pessoa pode ser vivificada (nascida de novo) pelo Espírito e pela Palavra sem que ela tenha conhecimento consciente do evangelho da graça de Deus (João 3: 3-8). Mas ser selada, ungida e ter o penhor do Espírito exige que ela compreenda a verdade do evangelho em relação à obra consumada de Cristo na cruz e que descanse em fé nessa obra para a salvação de sua alma.
Essas duas ações do Espírito Santo não devem ser confundidas. Nós somos "nascidos do Espírito" (João 3:8) e, assim, recebemos uma vida divina, e então nos tornamos crianças de Deus. Mas não é até que sejamos "selados com o Espírito Santo" (Efésios 1:13), ao crermos no Senhor Jesus Cristo e na sua obra consumada, que nos tornamos filhos de Deus (Romanos 8:14-15; Gál. 4:6-7). Filiação refere-se a ter um lugar privilegiado na família de Deus. (Veja Adoção.) Ao receber o Espírito Santo, a consciência do crente é purificada (Heb. 9:14) e ele é feito parte do corpo de Cristo (Efésios 2:16-18). (Veja Novo nascimento, Libertação e Salvação.)
Quanto à diferença entre vivificação e selo, J. N. Darby disse: "A habitação do Espírito Santo é uma coisa muito diferente do poder vivificante do Espírito. Os santos do Antigo Testamento estavam sujeitos a este poder vivificante do Espírito, mas a habitação do Espírito Santo não poderia existir até que Jesus fosse glorificado. Exemplos foram dados em Atos onde havia um intervalo de tempo para nos tornar sensíveis à distinção dos dois" (Collected Writings, vol. 26, p.8). A. P. Cecil disse: "Creio que as Escrituras claramente ensinam não apenas a distinção entre o novo nascimento e o selo do Espírito, mas também um intervalo de tempo entre as duas coisas. Pode ser longo ou curto; mas o intervalo de tempo está lá, da mesma forma que quando um homem constrói sua casa e depois passa a habitar nela" (Helps by the Way, vol. 3, NS, pág. 175). F.G. Patterson disse: "Essas duas ações do Espírito Santo nunca são, até onde eu sei, síncronas – elas não acontecem no mesmo momento" (Scriptures Queries and Answers, Words of Truth, vol. 3, p.184).

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


João 6:27 afirma que o Senhor Jesus foi "selado" com o Espírito Santo. Esta é uma referência ao que ocorreu em Seu batismo (João 1:29-33). Ele, é claro, não precisava de limpeza antes que o Espírito pudesse repousar sobre Ele, assim como Aarão (um tipo de Cristo) não precisava ser esparzido com sangue – como seus filhos precisavam, que são um tipo de Igreja – antes que ele fosse ungido com o óleo, que é um tipo do Espírito Santo (Levítico 8:12).

CISMA

CISMA – Um "cisma" é uma divisão interna ou uma fenda entre os Cristãos (1 Coríntios 11:18). Aqueles envolvidos em um cisma ainda estarão juntos externamente com aqueles com quem se diferem, mas provavelmente estarão infelizes (Romanos 16:17; 1 Coríntios 1:10; 3:3; 11:18). Este era o caso com os Coríntios. O apóstolo Paulo advertiu-lhes que, se os cismas existissem e não fossem tratados e julgados como mal, "importa que haja entre vós heresias", que surgiriam desses cismas (1 Coríntios 11:18-19). Assim, uma divisão interna deixada sem julgamento evoluirá para uma divisão externa. (Veja Heresia.)
Em Romanos 16:17, Paulo diz: "Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos [motivos de tropeço] em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles" (Trad. JFA Atualizada). Isso se refere àqueles que causam essas fendas internas entre os santos. Aqueles que "causam" divisões são os líderes ou instigadores e não aqueles que simplesmente seguem um movimento. Assim, devemos distinguir os líderes de entre aqueles que se desviaram nessas questões. Nós devemos "nos afastar" os líderes, mas nos achegar e tentar ajudar aqueles que estão sendo atraídos para um movimento de divisão.

Paulo diz que a maneira pela qual esses promotores de divisão obtêm seguidores é por meio de "suaves palavras e lisonjas [elogios]", e as pessoas que são enganadas por eles são os "símplices" e "desavisados" (Romanos 16:18). Absalão é um tipo do homem que divide uma assembleia (2 Sam. 15-18). Ele atraiu pessoas após si, que "iam na sua simplicidade", que "nada sabiam daquele negócio" (2 Sam. 15:11). Seu método era concordar com aqueles que tinham alguma queixa e beijá-los. O resultado foi que ele furtou "o coração dos homens de Israel" (2 Sam. 15:1-6). A formação do seu partido não aconteceu da noite para o dia; demorou "quatro anos" (2 Sam. 15:7 - Trad. JFA Atualizada). Lentamente, mas com certeza, Absalão abalou muitos em Israel e que o seguiram e o resultado foi a divisão em Israel.