domingo, 10 de setembro de 2017

UNIGÊNITO

UNIGÊNITO – Este é um termo afetivo que um único filho tem nas afeições de seu pai (Lucas 8:42; João 1:14; 3:16, 18; 1 João 4:9) ou mãe (Lucas 7:12). Gerado, no sentido em que a palavra é usada neste termo, não se refere ao início congênito de sua pessoa - seu nascimento. Uma prova clara disso é que o Senhor era "o Filho unigênito" antes que Ele nascesse neste mundo (João 3:16). A ênfase no termo é no "único", e não no "gerado". Cristo é o único e o unigênito Filho do Pai. Numa tradução livre, poderíamos ler: "o afetuosamente amado".
Portanto, quando o termo "Unigênito" é aplicado ao Senhor Jesus, está se referindo ao Seu incriado relacionamento com Deus, o Pai, como Seu muito amado Filho. Isso denota o prazer do Pai nEle. João 1:14 fala da glória que os homens contemplaram no Senhor quando O viram vivendo no gozo do amor de Seu Pai. João disse, num parêntese, que é semelhante ao que uma criança unigênita tem com seu pai, tendo a total e indivisa atenção e afeto de seu pai. (É por isso que "unigênito do pai" não é escrito em maiúscula no texto, pois se refere ao relacionamento humano de um pai com seu filho e o Espírito de Deus está usando isso para ilustrar a afeição que o Pai tem para com o Filho.). Assim, o Senhor foi o objeto da atenção e deleite indivisos de seu Pai (Mateus 3:17), pois sempre habitou "no seio do Pai" como "o Filho unigênito" (João 1:18; Prov. 8:30) e "o Filho do Seu amor" (Colossenses 1:13).

(NT: J.N. Darby traduz João 1:14 como "E o Verbo Se tornou carne, e habitou entre nós (e temos contemplado Sua glória, uma glória como de um unigênito com um pai), cheio de graça e verdade")

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VELHO HOMEM, O

VELHO HOMEM, O – Esta expressão é encontrada em Romanos 6:6, Efésios 4:22 e Colossenses 3:9. Como o "novo homem", este também é um termo abstrato que descreve o estado corrupto da raça caída de Adão – seu caráter moral depravado. O "velho homem" não é Adão pessoalmente, mas é aquilo que caracteriza a raça caída de Adão. É a encarnação de cada uma das horríveis características que marca a raça. Para ver corretamente o velho homem, precisamos olhar para a raça como um todo, pois é improvável que uma pessoa seja marcada por todas as horríveis características que caracterizam esse estado corrupto. Por exemplo, uma pessoa na raça caída pode ser caracterizada por ser irritada e enganosa, mas ele pode não ser imoral. Outra pessoa pode não ser conhecida por perder o seu temperamento, nem por enganar, mas ele é terrivelmente imoral. No entanto, tomando a raça como um todo, vemos então todas as terríveis características que compõem o velho homem.
Romanos 6:6 e Romanos 8:3 afirmam que Deus julgou o "velho homem" na cruz de Cristo. E Efésios 4:22 e Colossenses 3:9 nos dizem que é algo do qual o crente se  "despojou" ao receber Cristo como seu Salvador. Como parte da posição Cristã, por nossa profissão, temos confessadamente nos despojamos de tudo o que tem a ver com esse estado corrupto. Este despojamento é mencionado no grego no tempo verbal aorista – isto é, tendo acontecido isso uma vez para sempre. Portanto, como Cristãos, confessamos que não estamos mais associados ao "velho homem". Infelizmente, as versões brasileiras traduzem Efésios 4:22-24 como uma exortação, tornando o despojamento do velho homem algo que devemos fazer em nossas vidas como uma coisa diária. Mas na realidade, o despojamento do velho homem é algo que o crente faz de uma vez por todas quando ele toma sua posição com Cristo. A passagem deveria ser lida como: "Tendo-se despojado, quanto ao trato passado, do velho homem ..." (Trad. J. N. Darby).
O "velho homem" é frequentemente usado como sinônimo da velha natureza (a carne) no crente. Este é um mal entendido generalizado entre os Cristãos. Eles dirão coisas como: "O velho homem em nós deseja coisas pecaminosas". Ou "nosso velho homem quer fazer este ou aquele mal ... ". No entanto, essas afirmações confundem o velho homem com a carne. As Escrituras não usam o termo dessa maneira. O Sr. Darby observou: "O velho homem está habitualmente sendo usado para a carne de maneira incorreta" (Food for the Flock, vol. 2, p.228). Uma diferença é que do homem velho nunca é dito estar em nós, enquanto a carne certamente está. F. G. Patterson disse: "Também não acho que as Escrituras nos permitam dizer que temos o velho homem em nós – enquanto ensina mais plenamente que temos a carne em nós" (A Chosen Vessel, página 51). Por isso, não é correto falar do velho homem como sendo algo que vive em nós com apetites, desejos e emoções, assim como a carne. H. C. B. G. disse: "Eu sei o que significa um Cristão que perde o temperamento e diz: ‘é o velho homem’.  Ainda assim a expressão está errada. Se ele dissesse que era "a carne", teria sido mais correto "(Food for the Flock, vol. 2, pág. 287). Se o velho homem fosse a carne, então Efésios 4:22-23 estaria nos dizendo que precisamos nos despir da carne! No entanto, não existe uma exortação na Escritura para nos despirmos a carne. É algo que não acontecerá até que morramos, ou quando o Senhor chegar.
Assim, o "velho homem" foi julgado na cruz e foi despido pelo crente ao receber Cristo como seu Salvador. Embora não haja exortação na Escritura para nos despirmos o velho homem, há uma exortação para "nos despirmos" das coisas que podem estar em nossas vidas que caracterizam o velho homem (Colossenses 3:8-9). Também não há uma exortação na Escritura para os Cristãos "considerar o velho homem morto", como as pessoas costumam dizer. Essa ideia equivocada supõe que é algo maligno vivendo em nós (isto é, a carne). A Escritura diz que devemos considerar-nos "como mortos para o pecado" (Romanos 6:11). Outros falam do velho como sendo morto. Este é um mal-entendido também. Mais uma vez, sugere que era algo que uma vez vivia no crente, mas que morreu.
Sete coisas, o "velho homem" não é:
o    Não é Adão pessoalmente.
o    Não é a carne no crente.
o    Não é nossa antiga posição diante de Deus.
o    Não é sinônimo do primeiro homem.
o    Não é algo que precisa ser morto ou que morreu.
o    Não é algo de que o crente se despoja diariamente.

o    Não é algo que enterramos no batismo.

OFÍCIO

OFÍCIO – Este termo tem a ver com o governo da igreja – a administração da assembleia (1 Tim. 3:1, 10, 13). É algo que é realizado exclusivamente na esfera local da assembleia. Não há na Escritura algo como um governo central nacional ou mundial colocado sobre as assembleias.
A Bíblia ensina que há dois desses ofícios administrativos no governo da igreja:
o    Um bispo (Atos 14:23; 20:17-35; 1 Timóteo 3:1-7; 5:17-18; Tito 1:5-9; Heb. 13:7, 17, 24; 1 Pedro 5:1-4; Rev. 1:20).
o    Um diácono [ministro] (Atos 6: 3; 1 Tim. 3: 8-13).

Os bispos são aqueles que "tomam a iniciativa" na direção da assembleia local em seus assuntos administrativos e estão particularmente ocupados com o estado espiritual do rebanho (1 Tessalonicenses 5:12-13; Heb. 13:7, 17, 24; 1 Cor. 16:15-18; 1 Tim. 5:17 – Trad. J.N. Darby). A versão inglesa King James refere-se a esses homens como "os que têm o domínio sobre vós", mas essa expressão pode levar a um mal entendimento e transmitir a ideia equivocada de que exista uma casta especial de homens que estão "sobre" o rebanho, ou seja. O clero. A tradução correta seria: "Aqueles que tomam a iniciativa entre vós". Isso mostra que eles não devem ter "domínio" sobre o rebanho (1 Pedro 5:3). Este trabalho não se refere necessariamente à condução no ensino ou na pregação pública, mas aos assuntos administrativos da assembleia. Confundir estas duas coisas é entender mal a diferença entre dom e ofício, que são duas esferas distintas na casa de Deus. Alguns dos que tomam essa iniciativa podem não ensinar publicamente, mas são muito bons e úteis quando o podem fazer (1 Tim. 5:17). Esses homens devem conhecer os princípios da Palavra de Deus e poder colocá-los para que a assembleia possa entender o curso de ação que Deus tomaria em algum um assunto particular (Tito 1:9).
        Há três palavras usadas nas epístolas para descrever esses guias na assembleia local:
o    Em primeiro lugar, "anciãos" (Presbuteroi). Isso se refere aos avançados em idade e implica maturidade e experiência em assuntos espirituais (Atos 14:23; 15:6; 20:17; Fl 1:1; 1 Timóteo 5:17-19; 1 Pedro 5:1-4). No entanto, nem todos os homens idosos na assembleia necessariamente assumem o papel dos guias (1 Tim. 5:1; Tito 2:1-2).
o    Em segundo lugar, "bispos" (Episkopoi). Isso se refere ao trabalho que eles fazem – pastoreando o rebanho (Atos 20:28; 1 ​​Pedro 5:2), vigiando as almas (Atos 20:31; Heb 13:17), e admoestando (1 Tessalonicenses 5:12).
o    Em terceiro lugar, eles são chamados de "pastores [guias]" (Hegoumenos). Isso se refere à sua capacidade espiritual de liderar e guiar os santos (Heb 13:7, 17, 24).

Estas não são três posições diferentes na assembleia, mas sim três aspectos de um trabalho que esses homens fazem. Isso pode ser visto da maneira pela qual o Espírito de Deus usa esses termos de forma intercambiável. (Compare Atos 20:17 com 20:28, e Tito 1:5 com 1:7). No livro de Apocalipse, aqueles que estão neste papel são chamados de "estrelas" e também como "o anjo da igreja que está em  [local]"(Apocalipse 1-3). Como "estrelas", eles devem testemunhar da verdade de Deus (os princípios de Sua Palavra) como portadores da luz na assembleia local, fornecendo luz sobre vários assuntos que a assembleia pode se confrontar. Isso é ilustrado em Atos 15. Depois de ouvir o problema que estava preocupando a assembleia, Pedro e Tiago forneceram luz espiritual sobre o assunto. Tiago aplicou um princípio da Palavra de Deus e deu seu julgamento quanto ao que ele acreditava que o Senhor queria que eles fizessem (v. 15-21). Como "o anjo da igreja", eles agem como mensageiros para trazer a mente de Deus na assembleia na realização da ação. Isso também está ilustrado nos versículos 23-29.
Hoje não há qualquer nomeação oficial de anciãos/bispos/guias para este trabalho, como havia na Igreja primitiva (Atos 14:23; Tito 1:5), porque não há apóstolos (ou delegados pelos apóstolos) na Terra para ordená-los. Isso não significa que o trabalho de supervisão não possa continuar hoje. O Espírito de Deus ainda está levantando homens para fazer este trabalho (Atos 20:28). Esses homens não se nomeiam para esse papel, nem são nomeados pela assembleia, como é frequentemente o caso na Igreja hoje. Estes homens certamente seriam aqueles que um apóstolo ordenaria se estivesse aqui hoje. A assembleia os conhecerá pelo cuidado dedicado dos santos, pelo seu conhecimento dos princípios bíblicos e pelo seu sadio julgamento – e deve reconhecê-los como tais, mesmo que não tenham sido nomeados oficialmente.
No discurso de despedida de Paulo para os anciãos de Éfeso, ele deu uma descrição do caráter e do trabalho de um ancião/bispo/guia, usando a si mesmo como exemplo (Atos 20:17-35). Ele cuidadosamente delineou o que eles devem ser:
o    Consistente (vs. 18)
o    Humilde (vs. 19).
o    Compassivo (vs. 19).
o    Perseverante (vs. 19).
o    Fiel (vs. 20).
o    Comprometido (v. 21-24).
o    Energético (v. 24-27).

      Então ele descreveu o que eles devem fazer:
o    Pastorear o rebanho (vs. 28).
o    Vigiar contra dois perigos sempre presentes: de lobos que entram e homens atraíndo discípulos após si mesmos (v. 29-31).
o    Usar os recursos que Deus deu para essa obra: a oração e a Palavra de Deus (vs. 32).
o    Estar envolvido em um ministério de dar em um sentido prático (v. 33-35).

O segundo ofício administrativo na assembleia local é o de um "diácono". Isso diz respeito ao trabalho de atendimento aos assuntos temporais da assembleia – coisas materiais, assuntos financeiras, etc. (Atos 6:3; 1 Timóteo 3:8-13). A palavra "diácono" significa "servo" e pode ser traduzida como "ministro". Como exemplo, quando Barnabé e Paulo saíram na sua primeira jornada missionária, "tinham também a João como cooperador" (Atos 13:5). A palavra "ministro" neste caso pode ser traduzida como "servo" ou "cooperador", e refere-se ao mesmo tipo de trabalho. Por isso, João Marcos ajudou Barnabé e Paulo em coisas temporais no campo missionário. No caso do diácono em 1 Timóteo 3, no entanto, está em conexão com coisas temporais que pertencem à assembleia local.
Atos 6:1-5 ilustra isso. Uma necessidade prática de administrar coisas temporais surgiu na assembleia em Jerusalém. Os apóstolos naquela assembleia disseram: "Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas". A palavra "servir" aqui tem a mesma raiz da palavra "diácono". Certos homens, portanto, foram nomeados para cuidar do "ministério diário" (ou distribuição de fundos) e "servir mesas", para que os apóstolos estivem livres para continuar seu trabalho de ministério da Palavra.
É triste dizer que a Igreja hoje tirou do termo "ministro" o seu significado e uso bíblico e o conectou à posição criada pelo homem de um clérigo com títulos oficiais de "Ministro" e "Pastor". O lugar e o trabalho de um ministro foram convertidos em uma posição proeminente de pregação e ensino na Igreja – muitas vezes com uma equipe de pessoas que ajudam o pregador. Na Escritura, é exatamente o contrário; Um ministro é um servo daqueles que pregam e ensinam! (Atos 13:5; Rom. 16:1)
Uma diferença notável nas qualificações de um bispo e um diácono é que não há menção de que o diácono seja "apto para ensinar". Diz que ele deve manter "o mistério da fé", o que indica que ele deve conhecer a verdade – como todos os santos devem – mas não há nenhuma menção a ele sendo apto ensinar ou pregar. Outra diferença notável entre estes dois ofícios é que, enquanto os bispos não devem ser escolhidos pela assembleia para o seu trabalho, a assembleia escolhe seus diáconos. Mais uma vez, isso é visto em Atos 6. Os apóstolos instruíram a assembleia em Jerusalém para escolher os homens que eles achavam que eram mais adequados para esse trabalho. Há sabedoria nisso: quem melhor conhece o caráter dessas pessoas do que aqueles que andam com comunhão com eles diariamente? Deve também notar-se que, mesmo após a assembleia ter escolhido esses homens, ela não os ordenou, porque a assembleia (naquele tempo ou agora) não tem poder de ordenação. A assembleia trouxe aqueles a quem escolhera aos apóstolos que os nomearam oficialmente para aquele ofício. Um exemplo desse trabalho pode ser visto no "irmão" que tinha boa reputação por sua confiabilidade sendo "escolhido das igrejas" para ajudar nas questões da coleta e trazê-la aos santos pobres em Jerusalém (2 Coríntios 8:18-19).

Se este trabalho temporal é realizado de forma fiel, o diácono/ministro ganhará oportunidades em outras áreas de serviço – particularmente no testemunho verbal do evangelho (1 Timóteo 3:13). A vida bem ordenada e o trabalho fiel de um diácono/ministro na casa de Deus torna-se um testemunho para todos os que estão em sua volta de que ele é um em quem se pode confiar. Isso está ilustrado nas vidas de Estevão e Filipe em Atos 7-8. Esses homens eram diáconos na assembleia em Jerusalém (Atos 6:5), e tendo feito seus trabalhos fielmente, se tornaram ousados na fé e testemunharam do Senhor diante do Sinédrio (Atos 7) e na cidade de Samaria (Atos 8). Estevão tinha um dom de ensino, e Filipe era um evangelista dotado (Atos 21:8). Mas isso não significa que todos os diáconos tenham dons públicos.

NOVO HOMEM, O

NOVO HOMEM, O — Este termo é encontrado em Efésios 4:24 e Colossenses 3:10. Como o "velho homem", o "novo homem" é uma expressão abstrata. Indica a nova ordem de perfeição moral na nova raça da criação sob Cristo. O velho homem é caracterizado por ser "corrupto" e "enganador", mas o novo homem é caracterizado pela "justiça" e "santidade" (Efésios 4:22-24).
O termo "o novo homem" é frequentemente usado pelos Cristãos como se fosse sinônimo da nova natureza no crente. Este é um mal entendido generalizado entre os Cristãos. As pessoas dirão: "O novo homem em nós precisa se alimentar de Cristo". Ou, "Nosso novo homem precisa de um Objeto – Cristo". Essas declarações confundem o novo homem com a nova vida e natureza no crente, que definitivamente tem desejos e apetites, e precisa de um Objeto. Como mencionado, o novo homem é um termo abstrato – não é algo vivo no crente – denotando a nova ordem moral de perfeição na nova raça da criação. Este ponto foi abordado em um periódico anos atrás: "Novo homem é o que somos pelo novo nascimento? Não. (Novo homem) É um termo abstrato colocado aqui em contraste tanto aos judeus como aos gentios. É uma ordem completamente nova de homem obtendo seu caráter de Cristo" (Precious Things, vol. 4, pág. 302).
O "novo homem" apareceu pela primeira vez "em Jesus" (Efésios 4:21). Ou seja, os homens viram essa perfeição moral pela primeira vez quando o Senhor andou aqui neste mundo como um Homem. ("Jesus" é o Seu nome como Homem.) Toda característica moral do novo homem foi vista em perfeição nEle. Como o velho homem não é Adão pessoalmente, assim também o novo homem não é Cristo pessoalmente. G. Davison disse: "O novo homem não é Cristo pessoalmente, mas é Cristo caracteristicamente" (Precious Things, vol. 3, p. 260).
A ênfase da exortação de Paulo nos últimos versículos de Efésios 4 é de que devemos colocar em prática o que é verdade de fato. Como somos Cristãos, devemos nos despojar do "velho homem" e nos revestir do "homem novo" – é uma coisa que já foi feita (Efésios 4:24; Col. 3:10 – Trad. J.N. Darby). Portanto, somos exortados a deixarmos aquele velho estilo de vida corrupto que marca o velho homem  e vive segundo o que caracteriza o novo homem. Paulo menciona uma série de transições morais que naturalmente devem resultar na vida do crente enquanto ele caminha em "verdadeira justiça e santidade". Eles são:
o    Honestidade em vez de falsidade (vs. 25).
o    Inabalável ira justa contra o mal em vez de indiferença (v. 26-27).
o    Dando aos outros em vez de roubá-los (vs. 28).
o    Falando com graça aos outros em vez de usar linguagem torpe (vs. 29).
o    Bondade em vez de amargura (v. 31-32).
o    Ternura (compaixão) em vez de cólera (v. 31-32).
o    Mostrando a graça aos outros em vez de amargura, gritaria, blasfêmia e malícia (v. 31-32).

Em Colossenses 3, Paulo menciona dez características morais do "novo homem" que deveriam ser vistas nos santos, pois exibem a verdade de "Cristo em vós, a esperança da glória" (Colossenses 1:27):
o    Compaixão (vs. 12).
o    Bondade (vs. 12).
o    Humildade (vs. 12).
o    Mansidão (vs. 12).
o    Longanimidade (vs. 12)
o    Paciência (vs. 13).
o    Perdão (vs. 13).
o    Amor (vs. 14).
o    Paz (vs. 15).
o    Gratidão (vs. 15).


Como o novo homem é moldado segundo "a imagem daquEle que o criou", nós, sendo parte da nova raça da criação que se revestiu do novo (Efésios 4:24; Col. 3:10), são perfeitamente capazes de representar Deus neste mundo. As características morais do novo homem serão vistas em nós, enquanto andarmos "em Espírito" (Gálatas 5:22-25).

terça-feira, 22 de agosto de 2017

NOVA CRIAÇÃO

NOVA CRIAÇÃO – Refere-se à nova raça de homens que Deus está criando atualmente sob Cristo, "o último Adão" e "o segundo Homem" (1 Cor. 15:45, 47). Uma vez que a primeira raça de homens sob Adão falhou terrivelmente (Ecles. 7:20; Romanos 3:23), Deus Se propôs a fazer uma raça completamente nova sob Cristo que O representará adequadamente neste mundo e O glorificará em todas as coisas.
As Escrituras indicam que o Senhor Jesus tornou-Se a Cabeça desta nova raça, quando Ele ressuscitou de entre os mortos. Diz que Ele é "o Princípio, o Primogênito entre os mortos" (Col. 1:18b). Ou seja, ao Se levantar da morte, Cristo foi o "princípio" de uma nova ordem de humanidade (Apocalipse 3:14). Hebreus 2:10 confirma isso, afirmando que, em Deus trazendo "muitos filhos" (uma nova raça) para "glória" (uma condição glorificada), "o Príncipe [Autor] da salvação deles" (o Senhor) primeiro teria que ser feito "perfeito". Isto, novamente, refere-se à ressurreição e glorificação de Cristo (Lucas 13:32; Heb. 5:9). Assim, aquEle que estava destinado a ser a Cabeça desta nova raça teve que ser glorificado primeiro, antes que pudesse haver uma raça glorificada sob Ele. "Glória" (a glorificação do espírito, da alma e do corpo) é algo que não havia sido predito da velha raça sob Adão, embora Deus tenha dito que a primeira ordem do homem era "muito boa" (Gên 1:31) . Isso mostra a superioridade dessa nova raça. Sendo a Cabeça, Cristo tem o lugar de "Primogênito" (primeiro em posição e destaque) nessa raça. Isso significa que Ele é distinguido dos outros na raça, tendo a "preeminência" em "todas as coisas" (Col. 1: 18b). (Ver Primogênito e Cabeça de Cristo.)
Aqueles que creem no Senhor Jesus Cristo e são assim selados com o Espírito Santo (Efésios 1:13), fazem parte desta nova raça por essa conexão. Eles têm um vínculo inseparável com Cristo, a Cabeça, por meio da habitação do Espírito. Isso é indicado nas epístolas de Paulo pela expressão "em Cristo" (2 Coríntios 5:17, Gálatas 6:15, etc.). No mesmo dia em que o Senhor ressuscitou dentre os mortos, Ele conectou os discípulos Consigo mesmo na vida de ressurreição ao assoprar neles e dizer: "Recebei o Espírito Santo" (João 20:22). Isso foi algo semelhante ao que o Senhor fez com Adão na primeira criação quando Ele soprou nele "o fôlego da vida" (Gênesis 2:7), mas agora era em conexão com Ele sendo a Cabeça da nova raça de homens.
Estando nessa nova raça, os Cristãos são referidos como "irmãos" de Cristo (Romanos 8:29, Heb 2:11). A Escritura diz: "Assim O que santifica (Cristo), como os que são santificados (Cristãos), são todos de um" (Heb 2:11). Isso refere-se àqueles dessa nova raça de criação que são da mesma natureza e espécie que o próprio Cristo. "Todo de um" não se refere à unidade do corpo de Cristo, nem fala da unidade na família de Deus, mas da nossa unidade de espécie na nova criação. É uma expressão que indica que estamos unidos com Ele como uma massa, sendo da mesma substância que Ele é. Para indicar isso, a Escritura fala daqueles na nova criação como sendo "de Cristo" (Gál 3:29; 5:24). Portanto, estando nessa nova raça, não estamos apenas "em Cristo" quanto à nossa posição, mas também somos "de Cristo" quanto à nossa unidade de espécie com Ele.
Um exemplo de unidade de espécie é quando a mulher de Adão foi trazida a ele. Ele tinha visto as várias criaturas passarem diante dele – cada uma era "segundo a sua espécie" (Gênesis 1:21, 24-25). No entanto, não havia nenhuma encontrada entre todas aquelas criaturas que fosse de sua espécie e, assim, todas elas eram inadequadas para ele. Mas quando Deus trouxe a mulher para Adão, pela primeira vez Adão viu uma de sua própria espécie. Ele disse: "Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne" (Gênesis 2:23). Da mesma forma, somos "um" com Cristo nesta nova ordem de humanidade. Nós estamos num grupo e numa espécie com Ele, e assim, inteiramente adequados a Ele. Por isso, Hebreus 2:11 continua dizendo que Cristo "não Se envergonha de lhes chamar irmãos". Se Adão tivesse tomado uma das outras criaturas para ser sua esposa, teria ficado envergonhado. Mas quando Deus lhe deu a mulher, que era alguém da sua espécie, ficou muito satisfeito. Da mesma forma, Cristo Se alegra de nos apresentar como Seus irmãos. Ele diz: "Eis-Me aqui a Mim e aos filhos que Deus Me deu" (Heb 2:13).
Vale ressaltar que, enquanto o Senhor não Se vergonha de nos ter identificado com Ele, como Seus irmãos, a Palavra de Deus nunca nos diz para chamá-Lo de "nosso Irmão mais velho", ou usar outros tais termos de familiaridade. Ele tem uma glória de preeminência como a Cabeça da nova criação que O distingue de todos os outros na raça. É uma glória que Ele não compartilha (João 17:24). As palavras do Senhor a Maria indicam esse lugar especial e distinto que pertence a Ele apenas. Ele disse: "Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus, e vosso Deus" (João 20:17). Note que Ele não disse "nosso" Pai e "nosso" Deus, mas Se menciona em relação ao Seu Pai e Seu Deus separadamente dos crentes. Isso mostra que, como Homem, Ele tem preeminência em todas as coisas na raça da nova criação.
Além disso, essa nova ordem de humanidade não tem distinções nacionais, distinções sociais, distinções sexuais, etc., assim como tem a primeira raça sob Adão (Gênesis 1:27; 1 Cor. 11:3-14). O apóstolo Paulo disse: "Não há judeu nem grego, não há servo nem livre, não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:28; 6:15). Uma vez que esta raça é assexuada, novas pessoas não são adicionadas a ela por meio da procriação, mas por uma obra do Espírito Santo em um novo nascimento e salvação. Assim, cada pessoa que crê no Senhor Jesus Cristo é uma criação individual de Deus. Todos esses são "criados em Cristo Jesus" como partes individuais da "feitura Sua" (Efésios 2:10; 4:24; Col. 3:10), como diz a Escritura: "Se alguém está em Cristo, é uma nova criação" (2 Coríntios 5:17 – Trad. Brasileira). Somos inclinados a pensar que Deus cessou de Sua obra de criação quando Ele fez os mundos e colocou o homem na Terra, mas Deus ainda hoje está criando – no sentido em que estamos falando – acrescentando pessoas, como criações individuais à nova raça sob Cristo.
Na velha criação, os anjos também foram criados individualmente, mas não devemos pensar que essa nova raça é semelhante à dos anjos. Na verdade, somos uma ordem superior de seres criados! Isso pode ser visto no fato de que quando Cristo ressuscitou dentre os mortos e ascendeu aos céus, como um Homem, Ele passou através do elevado lugar no qual os anjos estão, e levou a humanidade para um lugar muito acima dos anjos. Quando Ele entrou nos céus como um Homem, sentou-Se em um lugar "acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro" (Efésios 1:21). (Principados e poderes, etc. são seres angélicos). Isso significa que não apenas Cristo está num lugar superior ao dos anjos, mas que agora existe uma raça inteira de homens sob Ele que é superior a esses seres angélicos também! Os homens desta nova raça de criação são agora da mais alta ordem das criaturas de Deus. Nós fomos uma vez parte de uma raça que foi criada "um pouco menor" da dos anjos (Heb. 2:7), mas agora estamos em uma raça que não é apenas um pouco mais alta do que os anjos – estamos "muito acima" (Trad. Brasileira) deles!
Como foi com Adão na velha criação, tudo na nova raça da criação leva o caráter da Cabeça da raça. Tem Sua marca de "justiça e santidade" nela (Efésios 4:24). Assim, seremos não apenas fisicamente "como" Ele (Filipenses 3:21), mas também moralmente "como" Ele (1 João 3:2). Quanto à semelhança moral, a Escritura diz: "revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade" (Efésios 4:24). E, novamente, "vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquEle que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos" (Colossenses 3:9-11).
Como homens nessa raça (quando glorificados), seremos perfeitamente capazes de representar Deus no mundo vindouro, porque temos sido renovados no conhecimento segundo "a imagem daquEle" que nos criou. ("Imagem", na Escritura, sempre traz o pensamento de representação – Gênesis 1:26; Lucas 20:24.) Sendo esse o caso, o apóstolo continua dizendo que precisamos ser exercitados sobre nos revestir, num sentido prático, dos traços morais do "novo homem" (Efésios 4:24; Col. 3:10) – que são as características de Cristo – para que possamos exibir a verdade de "Cristo em vós, a esperança de glória" (Col 1:27). (Trad. J.N.Darby)
Nossa conexão com Cristo na nova criação é frequentemente confundida com nossa conexão com Ele como membros de Seu corpo (místico). No entanto, estas são duas relações diferentes que temos com Ele. A diferença é que, como homens na nova raça, nós estamos "em Cristo" (2 Coríntios 5:17, Gálatas 6:15) e somos "de Cristo" (Gál 3:29; 5:24), Enquanto membros de Seu corpo, estamos unidos "a" Cristo (2 Coríntios 11:2, Efésios 1:22; 4:15) e estamos em "o Cristo". Pode haver algumas exceções, mas "o Cristo" é um termo nas epístolas de Paulo que denota a união mística da Cabeça e os membros de Seu corpo em uma unidade (1 Coríntios 12:12; Efésios 1:10; 3:4 – Trad. J.N. Darby). Além disso, a nova criação é algo individual (2 Coríntios 5:17 – "se alguém..."). A membresia do corpo de Cristo é algo coletivo – muitas vezes referida pelos ensinadores bíblicos como união. Porém, a Escritura não fala da Igreja como estando "em Cristo", mas estamos assim como homens na nova raça da criação. Ambos são verdadeiros para os crentes; Eles apenas denotam diferentes aspectos de nossa conexão com Cristo. W. Scott disse: "Quando a membresia do corpo é apresentada a alguém, não se diz que eles estão "em Cristo". Nós [como membros de Seu corpo] não estamos na Cabeça. A união das várias partes e membros do corpo humano não está na cabeça; eles estão unidos à cabeça, mas não nela. "Em Cristo" transmite uma ordem e um caráter diferentes da verdade da união a Ele. Unido a Ele é o corpo; Unido para Ele é a raça da nova criação. Ambos os caráteres, é claro, são verdadeiros para os crentes" (The Young Christian, vol. 5, p.14).

O prospecto que Deus tem para essa nova raça é ter todos dela "glorificados" com Cristo (Rom 8:17-18), e também manifestá-los como "filhos de Deus" diante do mundo no dia milenial vindouro (Romanos 8:18; 2 Tessalonicenses 1:10). Atualmente, não parecemos ser diferentes dos outros homens (1 João 3:2), mas isso é porque ainda estamos em nossos corpos de humilhação (Filipenses 3:21), que fazem parte da ordem da velha criação. No entanto, "assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial" (1 Coríntios 15:49). Ou seja, há um dia chegando quando seremos glorificados como Cristo – em espírito, alma e corpo. Isso significa que nossos corpos terão as capacidades que o Senhor demonstrou em Seu corpo depois que Ele Se levantou da morte – atravessando objetos físicos, viajando grandes distâncias em um momento de tempo, etc. (Lucas 24:33-36; João 20:19). A natureza caída do pecado em nós também será erradicada. Assim, estamos atualmente em um processo de transferência de Adão para Cristo, que não estará completo até que o Senhor venha para nós.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

MISTÉRIOS, OS

MISTÉRIOS, OS – O "mistério", na Escritura, não é algo misterioso e enigmático, mas um segredo revelado, o qual, antes de ser revelado, era desconhecido pelos homens (Deuteronômio 29:29). W. Kelly disse: "O mistério de Sua vontade:" não significa ser algo que você não pode entender, mas algo que você não poderia saber antes que Deus lhe falasse ... A palavra "mistério" significa o que a Deus aprouve manter em segredo – algo que Ele não tinha revelado antes – mas que é bastante inteligível quando revelado. "Mistério" no sentido popular, é totalmente diferente do seu sentido na Palavra de Deus" (Lectures on the Epistle to the Ephesians, p.25).
Os "mistérios de Deus" (1 Coríntios 4:1, 13:2; 14:2) são certas linhas de verdade que Deus não fez conhecidas aos homens até a vinda do Senhor Jesus Cristo e o envio do Espírito Santo (Romanos 16:25; Efésios 3:5; Col 1:26). Essencialmente, elas constituem a revelação Cristã da verdade. Os apóstolos eram os "despenseiros" desses mistérios e, portanto, eram responsáveis ​​por fazer a Igreja conhece-los (1 Cor. 4:1). W. Kelly disse: "Despenseiros dos mistérios de Deus" significa aqueles chamados e responsáveis ​​por divulgar as verdades especiais do Cristianismo" (An Exposition of Timothy, p. 63).
Como crentes no Senhor Jesus Cristo, os Cristãos em geral são privilegiados por terem sido trazidos a esses segredos do coração de Deus (João 15:15; Romanos 16:25-26; Efésios 1:8-9; Col. 2:2-3). Uma vez que essas verdades foram abertamente reveladas nos escritos inspirados dos apóstolos, eles são agora a propriedade comum de todos os crentes. Portanto, não há algo como uma classe especial de Cristãos iniciados que tenham um "mapa interior" nessas coisas. Essas verdades preciosas são para toda a Igreja de Deus. A revelação Cristã da verdade não foi entregue aos apóstolos, mas sim pelos apóstolos "aos santos". Assim, os santos são os guardiões da verdade e devem "batalhar diligentemente" (Trad. JFA – RA)  por ela conhecendo-a, caminhando nela e divulgando-a (Judas 3).
Há uma série de referências a esses "mistérios" no Novo Testamento. A palavra no texto grego (musterion) aparece umas 27 ou 28 vezes, e levou os ensinadores bíblicos a categorizá-los. Alguns dizem que existem sete mistérios, outros dizem dez e outros, doze, catorze, dezessete, etc. A diferença de opinião relativa a quantos realmente existem provem de não ter em conta que algumas dessas referências falam do mesmo mistério, porém com uma redação ligeiramente diferente. A maioria diz que há dez. Esses são:

1)       OS MISTÉRIOS DO REINO (Mat. 13:11; Marcos 4:11; Lucas 8:10). O Senhor indicou aos Seus discípulos que existem vários "mistérios" (plural) em conexão com o reino. Ele estava aludindo a um subconjunto de dez semelhanças delineadas no Evangelho de Mateus, que são um tipo especial de parábola que começa com a frase: "O reino dos céus é semelhante a ..." (Mateus 13:24, 31, 33, 44, 45, 47; 18:23; 20:1; 22:1; 25:1). Essas semelhanças descrevem a forma incomum que o reino tomaria neste momento em que o Rei está rejeitado e visivelmente ausente deste mundo. Essas parábolas servem um duplo propósito. Elas dão uma compreensão dessas coisas em relação ao reino para aqueles que receberam o Senhor, mas também ocultam a verdade daqueles que não creram nEle (Mateus 13:10-17).
Essas dez semelhanças indicam que o reino no presente dia seria sem um Rei visível, sem um centro administrativo terreno, sem fronteiras nacionais, e que a maioria dos seus súditos (que meramente professam ser crentes) não considerariam a autoridade da Rei, e viveriam como se Ele não existisse. Além disso, essas semelhanças indicam que esse estranho conjunto de circunstâncias e a mistura de crentes verdadeiros e meramente professos continuariam a existir no reino até o Senhor aparecer. Esses "mistérios do reino" apresentam a verdade que era desconhecida nos tempos do Antigo Testamento, mas agora está revelada a todos os que acreditam. (Veja O Reino dos céus.)

2)       O MISTÉRIO DA VONTADE DE DEUS A RESPEITO DE CRISTO E DA IGREJA – (Romanos 16:25; Efésios 1:9-10; 3:3-4, 9; 5:25-32; 6:19; Col. 1:26, 27; 2:2-3; 4:3). Este mistério é dito ser "grande" porque é a pedra preciosa de todos os mistérios e é algo que está junto ao coração de Deus (Efésios 5:32). Ele revela a verdade de Cristo e da Igreja, e apresenta o grande propósito de Deus de mostrar a glória deste relacionamento diante do mundo no dia vindouro.
A verdade revelada neste mistério foi "escondida" no coração de Deus desde a fundação do mundo (Efésios 3:9). O segredo que agora foi feito conhecido é que Deus exibirá a glória de Cristo perante o mundo por meio de um vaso de testemunho especialmente formado – a Igreja, que é o Seu corpo e a noiva (Efésios 1:22-23; 5:25-32; Apocalipse 21:9-22:5). Esta exibição será em duas esferas (no céu e na Terra) e acontecerá na "dispensação da plenitude dos tempos", que é o Milênio (Efésios 1:10 – "o Cristo" refere-se à união mística de Cristo e a Igreja). W. Kelly disse: "Há duas grandes partes neste mistério guardado, mas que agora é manifesto. A primeira é que Cristo deve ser estabelecido no céu acima de todos os principados e poderes, e receber o universo todo  dado a Ele como Cabeça sobre a herança sob o fundamento da redenção – . Ele próprio exaltado como Cabeça sobre todas as coisas tanto celestiais como terrenais, e a Igreja unida a Ele como Seu corpo – Ele dado dessa maneira como Cabeça à Igreja sobre todas as coisas. Então, o outro lado do mistério é Cristo nos santos aqui embaixo ... Em Efésios, o Apóstolo enfatiza mais sobre o primeiro desses aspectos, em Colossenses sobre o segundo" (Lectures on Colossians, p. 107).

3)       O MISTÉRIO DA FÉ – (1 Timóteo 3:9). Isso se refere à revelação especial da verdade que foi revelada pela vinda do Espírito Santo. Isso implica as bênçãos específicas do crente em conexão com a doutrina de Paulo e as instruções da conduta do Cristão de acordo com a presente dispensação (1 Timóteo 1:4 – Trad. J. N. Darby). Tudo isso era desconhecido nos tempos do Antigo Testamento.

4)       O MISTÉRIO DO DEUS (1 Timóteo 3:16). Isso se refere ao segredo da vida piedosa. Paulo disse a Timóteo que, se ele quisesse saber "como convém andar na casa de Deus" (1 Timóteo 3:15), tudo o que precisava fazer era olhar para o Senhor Jesus e Seu caminho perfeito neste mundo. Assim, o segredo de ser piedoso é conhecer os caminhos e maneiras de Cristo e imitá-Lo. Isso não poderia ter sido algo que os santos do Antigo Testamento conheciam porque Cristo ainda não havia vindo para nos dar o padrão perfeito de piedade. W. Kelly disse: "O segredo (agora revelado) de piedade é a verdade de Cristo. Ele é a fonte, o poder e o padrão do que, de uma maneira prática, é aceitável a Deus – Sua Pessoa, como agora é conhecida" An exposition of Timothy, página 72). Meditação nEle e Sua caminhada nos levará a imitar Sua vida, e assim caminharmos em verdadeira piedade neste mundo.

5)       O MISTÉRIO DA GLORIFICAÇÃO DOS SANTOS (1 Cor. 15:51-57; 1 Tessalonicenses 4:15-18). Isso se refere à revelação da verdade sobre a "vida e a incorrupção" que é trazida à luz por meio do evangelho (2 Tim. 1:10). A ressurreição, em si mesma, não era um segredo. Os santos do Antigo Testamento sabiam que Deus ressuscitaria os mortos e eles esperavam pelo momento em que isso ia acontecer  (Jó 14:10-14; Salmo 16:10-11; Salmos 17:15). Na verdade, foi uma parte da fé judia ortodoxa (João 11:24; Atos 23:8; 26:8; Heb. 6:2). É a maneira na qual eles seriam ressuscitados, e a condição em que eles seriam mudados, que eles não sabiam. Nem eles sabiam quando isso ocorreria. Eles simplesmente acreditavam que de alguma forma isso aconteceria "no último dia" (João 11:24).
Essas coisas foram trazidas à luz pelo evangelho e são um segredo revelado no Novo Testamento. Agora sabemos que os santos que "em Jesus dormem" (1 Tessalonicenses 4:14) serão ressuscitados "incorruptíveis" – uma condição glorificada – no momento do Arrebatamento (1 Coríntios 15:51-56 , Fil 3:21; 1 Tessalonicenses 4:15-18). Nós também sabemos que, no mesmo momento, os santos vivos também experimentarão uma mudança milagrosa de glorificação e revestirão "da imortalidade" (Romanos 8:11; 1 Coríntios 15:53; 2 Coríntios 5:4). O resultado será que os santos "trarão a imagem do celestial" – Cristo (1 Coríntios 15:49). Eles serão como Ele moralmente (1 João 3:2) e fisicamente (Filipenses 3:21). Isso não era conhecido nos tempos do Velho Testamento.

6)       O MISTÉRIO DAS ESTRELAS E DOS CASTIÇAIS (Apocalipse 1:12, 20). Isso se refere à responsabilidade que os anciãos/bispos têm (nas assembleias locais onde residem) para ordenar a assembleia de acordo com a mente do Senhor na doutrina e na prática. Ao interpretar o que João tinha visto na primeira visão do livro (Apocalipse 1:12-16), o Senhor explicou que "os sete castiçais de ouro" são as assembleias locais estabelecidas na Terra como um testemunho público para Ele como portadores da luz nas comunidades onde estão localizadas. Ele também disse que as sete "estrelas" são os "anjos" dessas assembleias, e que estes estavam em Sua "mão direita" (Apocalipse 1:20; 2:1). Como "estrelas", os anciãos nessas assembleias eram para fornecer luz, sabedoria e orientação para as várias situações que as assembleias enfrentariam. Sendo também chamado de "anjos" indica que esses líderes espirituais deveriam agir como mensageiros do Senhor, assegurando-se de que as coisas fossem feitas corretamente. O fato de que eles estavam em Sua "mão direita" indica que eles deveriam agir por Ele como Seus representantes e, portanto, eram diretamente responsáveis a Ele. Isso também não era conhecido nos tempos do Velho Testamento, porque esta função pertence apenas à Igreja e seu testemunho na Terra, e a verdade da Igreja naqueles dias ainda não havia sido revelada.

7)       O MISTÉRIO DA OLIVEIRA (Romanos 11:25). Esse mistério tem a ver com a verdade dispensacional. A verdade dispensacional é o ensino bíblico que distingue as várias dispensações (administrações) que a casa de Deus tem tido, ou terá, através dos tempos. (Veja Dispensações.) A verdade dispensacional em conexão com "a oliveira" refere-se à suspensão na dispensação da Lei na qual Deus tem tratado com Israel. Isso foi provocado por causa da rejeição de Cristo pelos judeus. Durante essa suspensão, Deus alcançou os gentios e os trouxe a uma posição de favor. Isto é indicado em Romanos 11:17, onde o apóstolo Paulo afirma que os ramos naturais da oliveira foram "quebrados" e os ramos de "zambujeiro" (uma oliveira brava – que não dá fruto) foram enxertados na árvore. Isso não significa que o mundo dos gentios tenha sido salvo pelo evangelho, mas que essa oportunidade e graça foram estendidas a eles.
A passagem menciona que a massa dos gentios, que exteriormente (professamente) abraçará esse privilégio, provará ser incrédula, como eles também foram, como ramos, e seriam "cortados", e Deus pegaria os ramos naturais e os enxertaria novamente (Romanos 11: 18-24). Paulo acrescenta que este re-enxerto não ocorreria "até que a plenitude dos gentios haja entrado" (Romanos 11:25). Isso se refere ao número total de crentes entre os gentios que foram "ordenados para a vida eterna" (Atos 13:48), crendo no evangelho e sendo salvos. Uma vez que isso tenha acontecido, Paulo diz que Deus vai voltar a Sua atenção para Israel novamente e salvará a nação (Romanos 11:26-29). Mais uma vez, este alcançar dos gentios não é encontrado no Antigo Testamento, e, portanto, os santos do Antigo Testamento não sabiam nada disso (Deuteronômio 29:29).

8)       O MISTERIO DA INIQUIDADE – (2 Tessalonicenses 2:7). Este "mistério" tem a ver com o espírito de desobediência que se perturba na profissão cristã e no mundo em geral. Refere-se à atividade da mente humana em oposição à vontade de Deus em todas as coisas, tanto divinas como seculares, pela influência do diabo. O atividade oculta da iniquidade é algo que já estava acontecendo no dia dos apóstolos, e continuaria a crescer até ser plenamente exibido na apostasia do "homem do pecado" (o Anticristo).
Não é que Deus não tenha colocado restrição à atividade da iniquidade. O apóstolo Paulo menciona que Deus tem dois que detém essa atividade, que Ele mesmo estabeleceu na Terra que trabalham para restringir o progresso da iniquidade. Paulo os define como:
o    "aquilo que o detém" (2 Tessalonicenses 2:6 – Trad Brasileira).
o    "Aquele que agora o detém" (2 Tessalonicenses 2:7 – Trad Brasileira).
"Aquilo que o detém" refere-se ao princípio de lei e de ordem no governo humano que Deus colocou na mão do homem para exercer após o dilúvio (Gên 9:5-6; Ecl. 5:8; Rom. 13:1-7). J. N. Darby disse: "Aquilo que o detém", portanto, é o poder de Deus atuando no governo aqui abaixo, como autorizado por Ele. O abuso mais grosseiro do poder ainda possui esse último caráter. Cristo pôde dizer a Pilatos: "Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado" Perverso como ele só, seu poder é exercido como vindo de Deus" (Synopsis of the books of the Bible, em 2 Tessalonicenses 2). O Sr. Darby também disse: "Aquilo que o detém" no grego significa uma coisa. O que é isso? Deus não nos disse o que é, e isso, sem dúvida, porque a coisa que resistiu então, não é a mesma que resiste agora. Então, foi, em certo sentido, o Império Romano, como pensavam os pais, que viam no poder do Império Romano um obstáculo para a revelação do homem do pecado e, portanto, oravam pela prosperidade desse império. Atualmente, o obstáculo é a existência dos governos estabelecidos por Deus no mundo" (Collected Writings, vol. 27, págs. 302-303).
O segundo Restringidor que Paulo menciona é "Aquele que agora o detém" (2 Tess 2:7). Isso se refere a uma Pessoa divina – o Espírito Santo que reside na Terra na Igreja – agindo para conter o mal em várias esferas. O apóstolo Paulo diz que o Espírito restringirá "até que do meio seja tirado". Assim, haverá um tempo em que o Espírito Santo não residirá mais na Terra. Como o Espírito habitará na Igreja "para sempre" (João 14:16), quando a Igreja for tirada da Terra pelo Senhor, no Arrebatamento, o Espírito também Se irá da Terra naquele momento. E. Dennett disse: "O que Paulo ensina em 2 Tessalonicenses 2 é que o que restringe a manifestação deste monstro de iniquidade no presente momento é a presença do Espírito Santo na Terra, na Igreja" (Christ as a Morning Star and the Sun of Righteousness, p. 46). O Espírito, tendo sido "tirado", não significa que Ele deixará de agir na Terra. Ele continuará trabalhando na Terra, mas será desde o céu como Ele fez nos tempos do Antigo Testamento.
Iniquidade existe no mundo e na Igreja. Apostasia – o abandono de uma profissão feita por alguém concernente à verdade – também está em atididade. (Os verdadeiros crentes não apostatam. Eles podem ser levados juntamente com a atual apostasia e podem começar a abrir mão de certas doutrinas e práticas, mas nunca abandonarão publicamente a profissão de sua fé em Cristo.) O atividade oculta da iniquidade está aumentando Terra porque o primeiro restringidor está lentamente enfraquecendo em razão do aumento constante da apostasia no governo humano. Além disso, como o Espírito de Deus está cada vez mais sendo desconsiderado pelos Cristãos, Ele está se tornando cada vez mais Entristecido e, consequentemente, não está exercendo Seu poder para conter o mal como Ele poderia, se Lhe fosse dado em Seu lugar legítimo no testemunho Cristão. Mas quando a Igreja e o Espírito Santo são "tirados do caminho", o mal inundará, de forma sem precedentes. Este segredo revelado nos dá a conhecer que há um fim para a atividade da iniquidade nos julgamentos do Senhor em Sua Aparição (2 Tessalonicenses 2:8).

9)       O MISTÉRIO DA BABILONIA, A MÃE DAS PROSTITUTAS  – (Apocalipse 17:5). Este mistério revela que depois que a verdadeira Igreja é chamada da Terra no Arrebatamento, a falsa igreja dos crentes meramente professos (que serão deixados para trás) será encabeçada pelo sistema católico romano. Terá o caráter de confusão religiosa e blasfêmia pelas quais Babilônia era conhecida na história; Daí o mesmo título é dado a esse sistema. A falsa igreja usará seu dinheiro e influenciará a esfera política para unir as nações na Europa ocidental em uma confederação de dez países (Apocalipse 6:1-2; 17:12-13). Esse é realmente o renascimento do Império Romano (Dan 2:40-43; 7:7-8; Rev. 17:7-11). Assim, a Igreja de Roma, em sua corrupção eclesiástica, controlará as superpotências ocidentais, conforme retratado na mulher que está assentada sobre uma besta (Apocalipse 17:1-4). Essa poder de controle apenas "um pouco de tempo" (Apocalipse 17:10). Ou seja, só vai durar os primeiros três anos e meio da 70ª semana de Daniel (Dan. 9:27). No meio da semana profética, a esfera política do império energizada por Satanás se levantará e destruirá esse sistema religioso corrupto (Apocalipse 17:16-18). Como todo o assunto da Igreja não era conhecido pelos crentes do Antigo Testamento, a existência da falsa igreja e sua corrupção também é algo que não conheciam.

10)   O MISTÉRIO DE DEUS (Apocalipse 10:7). (Este "mistério" não é o mesmo que "o mistério de Deus" em Colossenses 2:2, que é um aspecto do mistério de Cristo e da Igreja.) O "mistério" em Apocalipse 10 tem a ver com o segredo dos "caminhos" de Deus com os homens, que são "inescrutáveis" (Romanos 11:33), finalmente sendo esclarecidos. Por milhares de anos, Deus permitiu que os homens maus continuassem em sua maldade e aparentemente evitou punir isso. Na verdade, a Sua paciência e tolerância com o pecado e os pecadores neste mundo causam perplexidade. No entanto, quando Cristo intervier publicamente em Sua Aparição, e Ele julgará este mundo em justiça (Atos 17:30-31), e o mistério de Deus será "consumado". Isto é, quando Deus traz seus juízos sobre a Terra , este mistério se tornará um segredo revelado, e a justiça de todos os Seus tratamentos por todos os tempos será vista, e assim Ele será justificado em tudo.
A maligna atividade das trevas que está acontecendo hoje, aparentemente sem controle, sempre foi difícil para a mente do homem entender. Muitas vezes, é perguntado: Por que Deus permite que o mal continue e cresça no mundo sem julgá-lo? Esta perplexidade é descrita na queixa de Asafe no Salmo 73. Enquanto todos os mistérios anteriores nos foram agora revelados, devemos esperar que esse último mistério seja divulgado – o que acontecerá quando o Senhor aparecer.
W. Kelly disse: "O mistério aqui não é Cristo e a Igreja, mas Deus permitindo que o mal continue em seu curso atual com aparente impunidade" (The Revelation Expounded, p. 127). Ele também disse: "Deus encerraria o mistério de Sua atual aparente inatividade no governo público da Terra" (The Revelation Expounded, p. 126). H. Smith disse: "O mistério de Deus nesta passagem refere-se ao fato de que, por longas épocas, Deus não interveio publicamente nos assuntos dos homens. A maldade dos homens cresceu sem controle sem haver qualquer ação pública por parte de Deus. Os homens foram autorizados a satisfazer suas concupiscências, alcançar suas ambições, aumentar sua rebelião contra Deus e perseguir Seu povo. Através dos séculos, o povo de Deus foi torturado, banido de suas casas e martirizado em fogueiras e Deus aparentemente não interferiu. Tudo isso – que tem sido chamado de o silêncio de Deus – é um grande mistério".

MINISTÉRIO

MINISTÉRIO – Refere-se ao exercício do dom espiritual de uma pessoa – a execução do serviço que o Senhor nos deu para fazer por Ele (1 Pedro 4:10-11). Como todos os Cristãos têm um dom, todos os Cristãos devem estar no ministério. Pode não ser em ministrar a Palavra publicamente nas reuniões bíblicas, mas quando o seu dom é exercitado, resultará na pessoa sendo uma "junta de auxílio" para todo o corpo de alguma forma (Efésios 4:16). (Veja Dom)

As pessoas falam sobre ser "chamadas para o Ministério". Eles querem dizer que se sentem que estão sendo levados a perseguir a ocupação de um clérigo (um chamado Ministro ou Pastor), e assim se matricular em um seminário para ser treinado para essa posição em Uma igreja denominada. Mas no sentido bíblico da palavra, todos nós fomos "chamados para o ministério", porque todos temos um presente que deve ser exercido para o Senhor. O problema na Igreja hoje é que há muitos como "Arquipo" que não estão cumprindo seu ministério (Colossenses 4:17).