domingo, 8 de outubro de 2017

PROPÓSITO E CONSELHO DE DEUS, O

PROPÓSITO E CONSELHO DE DEUS, O – J. N. Darby disse: "O propósito é a intenção da Sua vontade, e o conselho é a sabedoria que Ele emprega para realizá-lo" (The Christian Friend, vol. 9 [1882], p.221). W. Scott disse que o propósito "refere-se ao fato abençoado de que Deus em Si mesmo, no exercício da Sua própria vontade divina e soberana, concebeu um sistema de governo e glória para ser exibido nos próximos séculos". Ele também disse que "conselho é um termo que indica a forma, os meios e o método para realizar esse propósito" (Doctrinal Summaries, p. 46; Truth For The Last Days, vol. 2, p. 166). G. Davison disse: "O termo "conselho eterno" nunca é mencionado nas Escrituras, mas "propósito eterno" é [Efé 3:11] ... Propósito requer conselho e disso provém os caminhos de Deus. Ainda não encontrei  Escritura conectando propósito com os caminhos de Deus, mas temos pelo menos duas conectando Seus caminhos com Seu conselho (Atos 2:23; Efé. 1:11)... Propósito é o objetivo que Deus tem diante de Si; Pessoas divinas tomaram conselho quanto a como o propósito deveria ser assegurado; e os caminhos de Deus estão trazendo tudo a efeito" (Precious Things, vol. 4, p.221).

TERRA PROFÉTICA, A

TERRA PROFÉTICA, A – Essa expressão não é encontrada na Escritura, mas o que ela transmite certamente é. É uma expressão que os professores bíblicos deram a uma esfera específica na Terra, onde muito da profecia será cumprida, particularmente em conexão com a besta romana.
Na verdade, existem três esferas na Terra onde a profecia será cumprida. Esses são círculos concêntricos, cada um com uma abrangência mais ampla, e cada um tem deferentes graus de luz de Deus e, portanto, estão num nível diferente de responsabilidade para com Deus. Esses são:
o    A "terra" [land] – A parcela da terra que foi prometida a Abraão e seus descendentes – a herança total de Israel, cobrindo cerca de 770 mil quilômetros quadrados de terra. (A versão King James traduz equivocadamente isso como a "terra" [Earth] em muitos lugares e, portanto, o aluno profético precisará consultar uma tradução mais crítica, como J. N. Darby, em Isaías 26:18; 28:22; Mateus 24:30, etc.). Este é o círculo menor.
o    A "terra" [Earth] – A porção da terra onde o antigo Império Romano exerceu no passado sua autoridade, e onde o Império romano revivido sob a Besta também terá seu território no futuro. Inclui "a terra", mas também engloba a Ásia Menor e Europa Ocidental. Alguns acreditam que, uma vez que a América tem sido amplamente povoada por pessoas que saíram da Europa (Dan 2:43), que os Estados Unidos e o Canadá poderiam fazer parte desta esfera. Esta área é referida pelos professores da Bíblia como "a Terra profética", ou "a Terra romana", ou "a Terra profética ocidental". Ela é mencionada 14 vezes no Apocalipse 8-9, pela expressão "a terceira parte". "A quarta parte da terra" é uma parte restrita da Terra profética – a Europa Ocidental (Apocalipse 6:8).
o    O "mundo" [world] – Esta é uma esfera mais ampla ainda, cobrindo todo o globo, considerando também as nações periféricas.
Os três desses termos ocasionalmente aparecem em uma passagem da Escritura – Isaías 18:2-3; 24:1-6; 26:9-10, 18-19.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

PROFECIA

PROFECIA – Existem dois tipos de profecias mencionadas no Novo Testamento:

o    Profecia que prediz eventos futuros e também transmite revelações de Deus aos santos (Atos 11:28; 21:10-11).
o    Profecia que diz a mente de Deus da Palavra de Deus de tal maneira que resulte na "edificação, exortação e consolação" dos santos (1 Coríntios 14:1, 3).


O primeiro deles era encontrado nos primeiros dias da Igreja, mas quando as Escrituras do Novo Testamento foram concluídas, este aspecto da profecia não continuou. A Igreja foi edificada "sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas" (Efésios 2:20; 3:5). Uma vez que o fundamento foi estabelecido, esses dois dons fundamentais não foram mais dados à Igreja por Cristo. No entanto, ainda temos seu ministério fundamental em seus escritos inspirados no Novo Testamento. O segundo tipo de profecia ainda tem a sua função hoje em dia.

O SACERDÓCIO DE CRISTO, O

O SACERDÓCIO DE CRISTO, O – Essa é uma das duas funções que compõem o presente trabalho do Senhor nas alturas para o Seu povo – Seu sacerdócio e Sua advocacia. Ambos têm a ver com a intercessão (Romanos 8:34), mas de diferentes maneiras:

o    Sua intercessão como Sacerdote tem que ver com a manutenção de Seu povo no caminho da fé para que eles não falhem (Heb. 7:25).
o    Sua intercessão como Advogado entra em operação se e quando eles falham no caminho da fé e precisam ser restaurados (Lucas 22:32; 1 João 2:1-2).

Quanto ao sacerdócio do Senhor, Ele intercede para nos ajudar no caminho. O efeito de Sua obra de intercessão é que somos mantidos no caminho certo e, portanto, são salvos dos perigos espirituais no caminho (Heb. 7:25). Como nosso Sumo Sacerdote, Ele Se simpatiza com nossas fraquezas e enfermidades, mas não com os nossos pecados (Hebreus 2:17-18; 4:14-16).
Muitos têm se perguntado por que qualquer um do povo do Senhor falha quando eles têm o Senhor intercedendo por eles para que eles não falhassem? Eles ficam perplexos porque nosso fracasso no caminho certamente não poderia ser devido a uma falha em Sua obra sumo sacerdotal. R. F. Kingscote escreveu ao Sr. Darby perguntando sobre isso e ele respondeu: "Intercessão é um termo geral, usado mesmo do Espírito Santo em nós (Rom. 8); mas o sacerdócio (em Hebreus) é com Deus, para misericórdia e graça para ajudar em tempo de necessidade: advocacia é com o Pai para restaurar a comunhão quando pecamos. Você não tem o sacerdócio por pecados em Hebreus porque o adorador, uma vez purificado, não tem mais consciência de pecados. Isso responde suas três primeiras perguntas, só não o final da terceira; ‘Por que falhamos? É porque faz parte do governo de Deus em nos ter responsavelmente exercitados, embora não sem graça suficiente para nós e o poder aperfeiçoado na fraqueza. Mas se esquecemos nossa fraqueza e dependência, também esquecemos a graça e estamos a caminho de uma queda. Veja o caso de Pedro, o Senhor não pediu que ele não fosse peneirado; Ele queria isso. O mal não está na queda, por mais dolorosa que seja, mas no estado que ela se manifesta. Deus pode permiti-la para que possamos aprender isso" (Letters, vol. 2, pág. 274).

Assim, se o nosso estado é baixo e não estamos ouvindo a voz do Senhor a esse respeito, Ele pode nos permitir aprender dependência através de um fracasso humilhante. Assim, em certas ocasiões, ele pode deixar de interceder em Sua forma habitual. No caso de Pedro, o Senhor não orou para que ele não caísse, mas quando ele caísse, para que sua fé não desfalecesse (Lucas 22:32). Sua intercessão levou à restauração de Pedro. Assim, para ganhar com a intercessão sacerdotal do Senhor, devemos ser responsavelmente exercitados a "por Ele" nos achegar "a Deus" (Heb 7:25), o que implica expressar dependência em oração. Se habitualmente negligenciarmos isso, não podemos esperar ser mantidos.

SACERDÓCIO DOS CRENTES, O

SACERDÓCIO DOS CRENTES, O – Há três esferas de privilégio e responsabilidade que os Cristãos têm na casa de Deus – sacerdócio, dom e ofício.
Quanto ao sacerdócio dos crentes, o livro do Apocalipse nos ensina que todos os Cristãos são "sacerdotes para Deus", e que foram feitos assim pela obra consumada de Cristo na cruz (Apocalipse 1:6; 5:10) . O apóstolo Pedro confirma isso, ao dizer que somos um "sacerdócio santo" que tem o privilégio de "oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis ​​a Deus por Jesus Cristo" (1 Pedro 2:5, 9). Como todos somos sacerdotes, a epístola aos Hebreus exorta os Cristãos como um todo a aproximar-se de Deus dentro do véu (no santo dos santos) e a se engajar em algo que apenas os sacerdotes podem fazer (Heb 10:19-22). Tal exortação não foi dada a nenhum outro senão a aqueles que são sacerdotes. Além disso, o fato de que esta epístola diz que o Senhor é "um Sumo Sacerdote" implica que há um grupo de sacerdotes debaixo dEle.

Uma vez que a Escritura ensina que todos os Cristãos são sacerdotes e que todos os irmãos têm o mesmo privilégio de exercer seu sacerdócio publicamente na assembleia, em reuniões para adoração e oração, precisamos apenas esperar no Espírito de Deus para liderar as orações e louvores dos santos. Se permitirmos que Ele conduza na assembleia, em Seu legítimo lugar, Ele guiará um e outro irmão para expressar audivelmente a adoração e louvor como a boca da assembleia. Claro que o exercício das funções sacerdotais não se limita à assembleia, mas também pode ser exercido em particular, em qualquer lugar e a qualquer momento.

PREDESTINAÇÃO

PREDESTINAÇÃO – Isto tem a ver com a soberania de Deus ao pré-organizar o destino daqueles a quem Ele escolheu para a benção (Romanos 8:29; Efésios 1:5 - "nos marcou de antemão" J.N.Darby). A eleição está intimamente relacionada com a predestinação, mas não são a mesma coisa. A diferença é:

o    "Eleição" tem a ver com pessoas selecionadas (Romanos 11:5, 7, 28; 1 ​​Tessalonicenses 1:4; 2 Pedro 1:10).
o    "Predestinação" tem que ver com o lugar (o destino) que foi selecionado para essas pessoas (Romanos 8:29-30; Ef. 1:5, 11).


A Bíblia ensina que Deus predestinou o justo à bênção, mas não há uma Escritura que declare que Ele predestinou pessoas para uma eternidade perdida. Deus ama todos os homens, "não querendo que nenhum pereça" (2 Pedro 3:9 RA; 1 Timóteo 2:4). Romanos 9:22 fala de homens que são "vasos de ira preparados para perdição", mas Deus não os preparou como tais; Eles se prepararam a si mesmos por sua própria incredulidade.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

PERFEIÇÃO

PERFEIÇÃO – A palavra "perfeito" significa o que está totalmente desenvolvido e completo. É aplicado aos Cristãos de três maneiras:
o    Quanto à nossa presente posição diante de Deus.
o    Quanto ao nosso estado prático.
o    Quanto à nossa condição final.

1)       PERFEITO EM POSIÇÃO – No momento em que alguém crê no evangelho de sua salvação, ele é selado com o Espírito Santo (Efésios 1:13) e tem uma posição diante de Deus "em Cristo" que é perfeita. Essa posição não será mais perfeita quando da sua entrada nos céu. Ele é "aceito" diante de Deus como Cristo é, pois está no lugar de Cristo perante Deus (Efésios 1:6). Isto foi feito possível pela oferta única de Cristo. A Escritura diz: "Com uma só oblação (oferta), aperfeiçoou para sempre (em perpetuidade) os que são santificados" (Hebreus 10:14). Esta perfeição envolve a consciência sendo "purificada" pela qual o crente sabe que seus pecados foram tratados com justiça e se foram (Heb 9:14). É algo que as ofertas no judaísmo não poderiam fazer (Heb 9:9; 10:1), mas essas ofertas apontaram para a única oferta de Cristo que resolveu a questão do pecado diante de Deus para sempre (Heb 10:1-18). Conhecer isso torna o crente um adorador na presença imediata de Deus (Heb 10:19-22).

2)       PERFEITO EM ESTADO – A Escritura também fala do fato de o crente ter sido "perfeito" quanto ao seu estado prático. A perfeição neste sentido tem a ver com a maturidade cristã – ou seja, um crente atingindo o crescimento completo. O grande fardo do apóstolo Paulo no ministério era apresentar os santos "perfeitos em Cristo Jesus". Ele diligentemente se esforçou em "ensinar" e em oração para esse fim (Col. 1:28-2:1; 1 Tess. 3:10; 2 Cor. 13:9, 11). Epafras também é mencionado como orando pelos santos que eles fossem "perfeitos" dessa maneira (Col. 4:12).
Há uma série de áreas onde os cristãos precisam estar "perfeitos" nesse sentido (2 Pedro 3:18):

Aperfeiçoando o Foco de Nossos Corações (Filipenses 3:13-15) – Em Filipenses 3, vemos a vida de Paulo focada em "uma coisa" – Cristo e Seus interesses. Ele prosseguiu "para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação". (O "alvo" no caminho da fé é alcançar a Cristo no alto, o "prêmio" no final do caminho é estar com Ele e ser como Ele em glória.) Todas as energias de Paulo foram canalizadas para aquela busca que o absorveu totalmente. Cristo tinha capturado seu coração, e tudo o que ele queria era mais dEle. Assim, todos os outros interesses, ambições e buscas na vida foram considerados estranhos e foram deixados de lado (Filipenses 3:4-8). Ele disse que tantos quantos tivessem esse "esse sentimento" eram "perfeitos". Assim, um cristão completamente maduro, no que diz respeito ao seu foco, é aquele que persegue uma coisa em sua vida – Cristo na glória e os Seus interesses na Terra.
Aperfeiçoar o foco de nossos corações é uma das primeiras coisas que Deus trabalha em nós depois de nos tornarmos Cristãos. Tem muito a ver com nossas prioridades. Antes que uma pessoa se salve, geralmente ela está absorvida em algum aspecto do mundo e na busca de certos objetivos terrestres. Mas quando ela se converte para Cristo, e deixa as ambições e os objetivos terrenos que uma vez capturaram sua atenção, ela alcançou a perfeição Cristã nesse sentido. Uma consequência de ter nossos corações focados nessa "uma coisa" é que nos tornamos Cristãos devotos. Zelo e energia nas coisas de Deus são o que caracterizará nossas vidas. Com Paulo, isso foi uma coisa imediata em sua vida (Atos 9). No entanto, com a maioria dos crentes, é um processo, e é triste dizer, muitos nunca alcançam esse nível de maturidade Cristã. Paulo bem compreendeu que o desenvolvimento espiritual é uma coisa progressiva e afirmou que aqueles que estavam sentindo "alguma coisa doutra maneira" (aqueles que não estavam tão focados como ele estava), Deus lhes revelaria que a busca de Cristo era a realmente a única busca que vale a pena ter na vida (Filipenses 3:15). Paulo estava confiante de que, à medida que avançavam na vida Cristã e cresciam em graça, teriam menos interesses estranhos, e Cristo Se tornaria o único objetivo.

Aperfeiçoando o Nosso Entendimento da Revelação Divina – Paulo disse aos coríntios: "Adultos [perfeitos] em entendimento" (1 Coríntios 14:20). A perfeição, esse sentido, tem a ver com a nossa compreensão da revelação da verdade Cristã. Isso mostra que Deus não quer que sejamos Cristãos devotos apenas, mas Ele quer que também sejamos Cristãos inteligentes. Para este fim, Ele nos trouxe para o lugar favorecido de "filiação" (Efésios 1:5) e "Ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência [inteligência], descobrindo-nos o mistério da sua vontade" (Efésios 1:8-9). Isso nos foi revelado nas Escrituras do Novo Testamento – particularmente em Efésios e Colossenses. Se absorvermos a verdade por meio de um estudo diligente (1 Timóteo 4:6; 2 Timóteo 2:15), obteremos um conhecimento prático da verdade, e assim nos tornaremos "adultos [perfeitos]" neste sentido (Heb 5:14). Como tal, seremos homens de Deus que podem ser usados por Deus na obra do Senhor (2 Timóteo 3:16-17). Poderemos nos levantar para a defesa da fé e, de forma inteligente, "responder com mansidão e temor a qualquer" que nos pede a "razão da esperança" que temos em Cristo (1 Pedro 3:15, Judas 3).
O escritor da epístola aos hebreus exortou os santos a "prossigamos até a perfeição" nesse sentido (Heb. 6:1). Para fazer isso, ele lhes disse que não deveriam voltar para a posição judaica do Antigo Testamento de onde vieram, mas "prosseguir" dos princípios do reino os quais o Senhor ensinou nos Evangelhos sinópticos – que ele chama "a doutrina dos princípios elementares de Cristo" (Trad. Brasileira) – até ao "completo crescimento" (Trad. J.N. Darby) no Cristianismo, que é a verdade apresentada nas Epístolas. Esses crentes hebreus estavam, por assim dizer, em uma ponte que se estendeu do Judaísmo ao Cristianismo. Ele exortou-os a não voltarem na ponte para o terreno do Antigo Testamento (o sistema legal do Judaísmo) de onde eles vieram, mas também não permanecer na ponte abraçando apenas a verdade que havia sido manifestada pelo ministério do Senhor (João 14:25 – "estas coisas" Trad. Brasileira). Ele queria que eles continuassem até o pleno Cristianismo, que ele chama de "perfeição". Essa é a verdade encontrada nas Epístolas (João 14:26 - "todas as coisas"). Se eles ficassem onde estavam, na ponte, por assim dizer, em algum lugar entre o Judaísmo e o Cristianismo, isso impediria seu crescimento espiritual e eles permaneceriam como bebês (Heb. 5:11-13).
A necessidade desse trabalho de "aperfeiçoamento dos santos" neste sentido é grande, porque até que sejam estabelecidos na verdade, eles estarão em perigo de serem "levados em roda por todo o vento de doutrina" (Ef. 4:12-14). Na verdade, é a própria razão pela qual Cristo deu "dons" de edificação à Igreja – pastores, mestres, profetas, etc. (Efésios 4:11). Se aproveitarmos o seu ministério, "prossigamos até a perfeição" em nossa compreensão da revelação Cristã. Mesmo que possamos não ser dotados no ensino, ainda assim podemos ajudar os outros a entender "com mais precisão o Caminho de Deus". Isto é o que Áquila e Priscila fizeram por Apolo (Atos 18:24-28).

Aperfeiçoando a Santidade em Nosso Andar (2 Coríntios 6:14-7:1) – Deus não quer que sejamos apenas devotos e inteligentes, mas também santos (na prática). Assim, a perfeição também é usada na Escritura em conexão com o andar em santidade do crente. Em 2 Coríntios 6:14-7:1, o apóstolo Paulo indicou que aperfeiçoar a santidade em nossas vidas tem duas partes: há o lado externo envolvendo separação de coisas externas e pessoas do mundo (2 Coríntios 6:14-18) E, também, há o lado interno de se livrar de hábitos e caminhos impuros pelo julgamento de nós mesmos na presença do Senhor (2 Coríntios 7:1). Ter o exterior sem o interior é hipocrisia (Salmos 51: 6).
A roupa do sacerdote do Antigo Testamento, que era feita de linho, ilustra (tipicamente) o equilíbrio adequado dos dois lados (Ex. 28:39-43). "Linho" fala de justiça e pureza práticas. Os sacerdotes usavam "túnicas de linho" (roupa exterior), que falam de pureza externa diante dos olhos dos homens, mas usavam "calções de linho" sob suas túnicas as quais ninguém via, senão Deus. Ele nos fala da pureza interior. A perfeita santidade em nosso andar e caminhos nos faz Cristãos santificados.

Aperfeiçoando o Amor de Deus em Nossos Corações (1 João 2:5; 4:11-12) – Uma parte importante para se atingir a maturidade Cristã tem a ver com o amor de Deus sendo aperfeiçoado em nós, de modo que amamos como Deus ama. Isso é visto em perfeição na vida do Senhor Jesus. Ele demonstrou perfeitamente o amor de Deus. Aqueles que têm o amor de Deus aperfeiçoado neles amarão como Cristo amou. Isso se manifestará praticamente de várias maneiras. Será visto em obediência genuína à Palavra de Deus: "qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado" (1 João 2:5). Será visto em nosso amor uns pelos outros: "se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado" (1 João 4:12 – Trad. JFA RA). Será visto em nossa vontade de caminhar juntos em unidade: "para que eles sejam perfeitos em unidade" (João 17:21-23). Será visto no controle da nossa língua: "se alguém não tropeça em sua palavra, é um homem perfeito" (Tiago 3:2 – Trad. Brasileira). Será visto em nossa benevolência para com os pobres e necessitados: "Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres" (Mat. 19:21; 1 João 3:17). Muitas vezes, Deus usará provações para desenvolver essas coisas em nós (Tiago 1:4).

Aperfeiçoando nossas obras de serviço – Nosso serviço para o Senhor é amplo e variado, mas todos temos algo a fazer por Ele, pois não há zangões na colmeia de Deus. Ao caminhar com o Senhor e crescer, nosso serviço para Ele deve se desenvolver proporcionalmente. Quanto mais amadurecemos nas coisas de Deus, mais nossa eficiência no serviço do Senhor aumentará – produzindo "um a trinta, outro a sessenta, outro a cem" (Marcos 4:20). O escritor de Hebreus orou pelos santos para este fim (Heb 13:20-21).

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Um perfil bíblico de um Cristão maduro (perfeito) é o seguinte:

o    Ele tem um único interesse na vida – Cristo (Filipenses 3:13-15).
o    Ele come carne e não apenas leite (Heb. 5:11-12).
o    Ele caminha em separação do mundo (2 Coríntios 6:14-17).
o    Ele julga a si mesmo (2 Coríntios 7:1).
o    Ele deixou o judaísmo e todos os seus princípios (Heb 6:1-4).
o    Ele é governado por genuína obediência (1 João 2:5).
o    Ele tem um profundo amor pelos outros (1 João 4:11-12).
o    Ele está menos ansioso na provação (Tiago 1:2-4).
o    Ele controla sua língua (Tiago 3:2).
o    Ele é generoso com suas posses (Mateus 19:21).
o    Ele mantém o passo com seus irmãos (João 17:21-23).
o    Seu serviço é de acordo com a mente de Deus (Heb 13:21).

3)        PERFEITO NA CONDIÇÃO FINAL – O aperfeiçoamento da consciência do crente é o início da obra de Deus de aperfeiçoar os santos. A conclusão da obra tem a ver com a glorificação dos corpos dos santos (Romanos 8:17, 30; Fil 3:12; Hebreus 11:40; 12:23). Isso inclui a erradicação da natureza caída do pecado – a carne (1 João 3:2). O Senhor experimentou ser feito "perfeito" em Seu corpo quando ressuscitou dentre os mortos (Lucas 13:32; Heb. 5:9). No entanto, Ele não precisava erradicar a natureza caída do pecado porque não tinha uma natureza caída.
Em Hebreus 11, o escritor menciona muitos santos do Antigo Testamento que há muito haviam saído desta cena e estão agora com o Senhor. Ele conclui dizendo: "Eles (os santos do Antigo Testamento) sem nós (os santos do Novo Testamento) não fossem aperfeiçoados". Assim, a obra do Senhor de aperfeiçoar os santos de todas as épocas anteriores (assim como os Cristãos) nesta última forma acontecerá ao mesmo tempo. Isto, nós sabemos, será na vinda do Senhor – o Arrebatamento (1 Tessalonicenses 4:15-18). Naquele momento, o "corruptível" se revestirá de "incorrupção". Isto se refere aos santos que adormeceram. Eles serão ressuscitados em um estado glorificado. Além disso, nesse mesmo momento, o "mortal" se revestirá de "imortalidade". Isto se refere aos santos vivos sendo transformados em um estado glorificado (1 Cor. 15:51-57).
Por isso, todo crente experimentará duas vivificações: a primeira é a vivificação de sua alma e espírito quando ele é trazido da morte para a vida pelo poder de Deus (Efésios 2:5; Col. 2:13), e a segunda é a vivificação em seu corpo, que ainda vai ocorrer na vinda do Senhor (Romanos 8:11

terça-feira, 26 de setembro de 2017

PAZ

PAZ – Há pelo menos sete aspectos da paz nas Escrituras – alguns relacionados à posição do crente diante de Deus, alguns relativos ao estado do crente e um ao futuro estado do mundo sob o reinado público de Cristo. Alguns desses aspectos são posicionais, outros são práticos e o último é profético (ainda por ser cumprido).

PAZ EM CONEXÃO COM A POSIÇÃO DO CRENTE – A. P. Cecil indicou que há três partes para a posição em paz do crente. Essas três dessas coisas nos pertencem desde o momento em que cremos no evangelho e fomos selados com o Espírito Santo. Elas são:
Paz com Deus (Rom. 5:1) – Esta é uma "paz" exterior que existe entre Deus e o crente como resultado de ser "justificados pela fé". É uma condição exterior prevalecente entre duas partes que antes estavam separadas. Da mesma forma, quando duas nações estão em guerra, não há paz. Mas se a paz for estabelecida entre elas, a guerra acaba; Cessam as hostilidades e os inimigos são transformados em amigos. Isto é Exatamente o que aconteceu com o crente pela fé na morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Não existe mais uma separação entre nós e Deus; Prevalece agora uma condição de "paz com Deus".
Algumas pessoas pensam que o pecador precisa fazer a paz com Deus. Eles dirão: "Faça a sua paz com Deus". No entanto, não podemos fazer paz com Deus porque não somos capazes de atender às reivindicações da justiça divina necessária para a paz. Graças a Deus, Ele interveio para assegurá-la ao crente. A Bíblia ensina que esta paz foi feita para os homens pela obra de Cristo na cruz (Col 1:20). Assim, tudo o que temos a fazer é crer no testemunho de Deus sobre esse fato, e "sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo".
Este aspecto da paz é uma realidade objetiva e não um sentimento subjetivo ou um estado de espírito. Assim, não é um sentimento pacífico interior na alma do crente, como algumas pessoas pensam. Os sentimentos pacíficos podem vir e ir, dependendo das circunstâncias e do estado de alma de uma pessoa, mas não fazem parte da justificação do crente e de sua "paz com Deus". A paz com Deus é uma condição permanente na qual o crente habita com Deus. É tão segura e inabalável como seu fundamento: a morte e a ressurreição de Cristo. Romanos 5: 1 não está falando do gozo de nossa paz com Deus, mas sim do fato de que temos paz com Deus. Essa paz não depende do nosso estado de alma. Nem pode ser perdida pelas fraquezas do nosso caráter ou falhas no caminho da fé, porque é uma coisa eternamente estabelecida e inseparavelmente ligada à nossa posição diante de Deus. Portanto, não temos mais desta paz caminhando em comunhão com o Senhor, nem temos menos dela se não caminharmos com Ele.

Paz da Libertação (Romanos 8:6) – Este aspecto da paz é algo interior. Tem que ver com o crente sendo trazido ao descanso em sua alma com relação a culpa de seus pecados. É uma paz interno na alma do crente resultante do conhecimento da sua aceitação (Rom 8:1) e da libertação (Rom 8:2-4). Assim, o crente tem um profundo senso de ter sido libertado do julgamento, e isso faz com que a paz e o descanso preencham sua alma. Este aspecto interior da paz é muitas vezes confundido com a paz exterior com Deus, acima mencionada.
A aceitação tem que ver com o entendimento do que foi realizado na obra consumada de Cristo na cruz e do lugar que Ele tem à direita de Deus. Como consequência da Sua ressurreição e ascensão, o Senhor agora está em um lugar diante de Deus que está além da condenação. E, devido à habitação do Espírito de Deus no crente, o crente está "em Cristo" (Rom. 8:1, etc.). "Em Cristo" é um termo técnico usado na doutrina de Paulo para demonstrar o crente estando "no lugar de Cristo perante Deus" (Efésios 1:6). Assim, ele é tão aceito como Cristo é aceito (1 João 4:17). (Ver Aceitação e Em Cristo.)
A libertação tem que ver com o Espírito no crente efetuando uma libertação em sua alma do poder do pecado (Romanos 8:2-4). Isso não significa que ele não pode mais pecar, mas que existe um poder nele que lhe permite viver sem pecar, se ele andar no Espírito. Isto é assim em virtude da "lei [princípio] do Espírito de vida, em Cristo Jesus", agindo no crente para suplantar as inclinações da carne. J. N. Darby observou que quando uma alma obtém essa paz, ele nunca mais entra em problemas de alma novamente em relação às dúvidas de sua salvação. (Ver Libertação.)

Paz racial (Efésios 2:14-15) – Refere-se à condição de paz existente entre os membros do corpo de Cristo, apesar de suas posições anteriores como judeus e gentios serem totalmente separadas. A grande obra de reconciliação com Deus por meio do sangue de Cristo (Efésios 2:13), não somente trouxe o crente perto de Deus, mas também a uma união com os outros membros do corpo de Cristo. Assim, as diferenças que existiram durante séculos entre judeus e gentios foram anuladas; Eles estão agora unidos juntamente no corpo de Cristo pela habitação interior do Espírito.
Como mencionado, os três aspectos de nossa posição em paz são nossos no momento em que cremos no evangelho e somos selados com o Espírito Santo.

PAZ EM CONEXÃO COM O ESTADO DO CRENTE – Quando o estado de alma do crente está correto, e ele está caminhando em comunhão com o Senhor, existem certos aspectos da paz prática que ele irá desfrutar. Tudo isso tem que ver com o estado do crente. Se, no entanto, ele negligencia andar com o Senhor, ele não terá os seguintes aspectos da paz:

A Paz de Deus (Filipenses 4:7) – Essa se refere ao estado de tranquilidade no qual o próprio Deus habita. Ele vê e conhece todos os conflitos e problemas que ocorrem neste mundo, mas nenhuma dessas coisas perturba a paz em que Ele habita. Não é que Ele seja indiferente a tudo isso – Ele está muito preocupado com o sofrimento, a tristeza, a violência, etc., e corrigirá tudo um dia – mas isso não perturba a Sua paz. Paulo ensina em Filipenses 4 que Deus quer que vivamos na própria paz em que Ele vive, para que nossas mentes e corações não sejam turbados pelas circunstâncias preocupantes pelas quais passamos neste mundo. Paulo diz que devemos trazer diante de Deus em oração tudo aquilo que nos preocupa e nos incomoda e fazer com que nossas "petições" sejam conhecidas por Ele (Filipenses 4:6). Ele não diz que Deus necessariamente nos dará tudo o que pedirmos, mas que Ele nos dará a paz nestas situações inquietantes da vida (Filipenses 4:7). Paulo continua dizendo que não só teremos "a paz de Deus" em nossas almas, mas também teremos "o Deus da paz" conosco em nossas circunstâncias (Filipenses 4:9). Ou seja, Ele nos concederá um senso especial de Sua presença. Compare Daniel 3:24-25. W. Scott disse: "Oh, Tê-Lo como teu Companheiro de viagem, constantemente ao teu lado;  teu guia, guardião e amigo – o Deus da paz! "(Young Christian, vol. 5, p. 128).
Nunca podemos perder a nossa "paz com Deus", pois está inseparavelmente ligada à nossa posição diante de Deus em Cristo. Mas se não trazemos nossas preocupações e problemas a Deus em oração, não poderemos ter a "paz de Deus" em nossas almas e nos incomodaremos com muitas coisas nas vicissitudes da vida (Lucas 10:41).

A Paz de Cristo (João 14:27; Colosenses 3:16) – Essa se refere ao estado de paz em que o próprio Senhor viveu quando Ele andou por este mundo. Ninguém viu problemas como Ele nem sofreu como Ele. As dores que Ele experimentou devido ao ódio e à rejeição dos homens pesavam sobre o coração de Deus. No entanto, Ele tomou tudo em perfeita calma, sem ser indiferente. Essa calma veio da aceitação dessas circunstâncias como vindas da mão de Seu Pai, em perfeita submissão (Mateus 11:26). Assim, Ele viveu em paz (Marcos 14:61; 15:3-5) e dormiu em paz (Marcos 4:37-41), e no final da Sua senda na Terra, deu essa paz a Seus seguidores (João 14:27), pois eles teriam que passar pelo mesmo mundo hostil.
A diferença entre a paz de Cristo e a paz de Deus é que a paz de Deus resulta quando trazemos nossos problemas e dificuldades para Deus em oração, enquanto que a paz de Cristo resulta de tomarmos nossos problemas e dificuldades como vindos de Deus, em submissão.

Paz entre os irmãos (Romanos 14:19; 2 Coríntios 13:11; Ef 4:3; 1 Tessalonicenses 5:13; 2 Timóteo 3:16; 2 Timóteo 2:22; Heb 12:14; Tiago 3:18; 1 Pedro 3:11) – Este aspecto da paz tem a ver com condições felizes e pacíficas existentes entre os irmãos. O salmista disse: "Eis quão bom e quão agradável é que os irmãos vivam em unidade" (Salmo 133:1 – Trad. J. N. Darby). Enquanto isso realmente está falando sobre as tribos de Israel habitando pacificamente, o princípio também é aplicável aos irmãos Cristãos. Satanás está fazendo tudo o que pode para perturbar a paz entre os irmãos. Os santos em cada assembleia local, portanto, devem "operai" sua "salvação" dos seus ataques malignos entre eles tendo a humildade de Cristo e cada um estimando o outro melhor do que a si mesmo (Filipenses 2:12).

PAZ MUNDIAL (Salmo 72:3, 7; 147:14; Lucas 2:14) – Isso tem a ver com a paz entre as nações na Terra. É algo que os reis e os governadores e políticos têm tentado realizar a milhares de anos, mas todos falharam. A Escritura nos diz que a paz mundial será estabelecida pelos julgamentos do Senhor em Sua Aparição. Ele diz: "havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça" (Isaías 26:9). Naquele tempo, o Senhor "faz cessar as guerras até ao fim da Terra" (Salmo 46:9).
Muitos cristãos acreditam que devem fazer o que podem para trazer a paz para o mundo neste presente Dia da Graça. Eles veem isso como seu dever Cristão. Por isso, eles se envolvem na política, apoiam o porte de armas, envolvem-se em protestar contra atos injustos na sociedade, etc. Este pensamento equivocado tem suas origens na Teologia Reformada (Aliança), que ensina que o reino de Cristo será estabelecido por meio da pregação e da influência Cristã. Essas ideias têm influenciado em quase todos os setores da profissão Cristã hoje. No entanto, enquanto a Bíblia nos ensina que devemos procurar viver pacificamente entre os povos deste mundo (Romanos 12:18; 1 Timóteo 2: 1-2), ela não nos ensina a envolver-nos em seus assuntos políticos, porque somos meramente peregrinos passando por ele (1 Pedro 2:11). A Bíblia nos assegura que, enquanto este mundo certamente será ordenado corretamente pela força nos julgamentos do Senhor, o Dia da Graça não é o momento para isso. O Senhor ensinou que, enquanto Ele fosse rejeitado por este mundo, seus seguidores não deveriam "lutar" em questões de justiça na sociedade (João 18:36; Apocalipse 13:10, Mateus 26:52). É uma causa perdida porque as Escrituras ensinam que o mundo continuará piorando, moral e espiritualmente, até que o Senhor intervenha no julgamento (2 Timóteo 3:13). Portanto, devemos esperar a Aparição de Cristo, quando Ele ordenará o mundo por meio do julgamento (Atos 17:31; 2 Tessalonicenses 1:7-9, Apocalipse 11:15). Naquele tempo, Ele trará "paz ao povo" de todo este mundo (Salmo 72

PASTOR

PASTOR – Este é um dos dons que Cristo, a Cabeça da Igreja, deu à Igreja quando subiu ao céu. "Pastor" (Efésios 4:11), refere-se a homens que foram dotados de capacidades espirituais para guiar e aconselhar os santos em questões práticas e, portanto, podem cuidar do estado espiritual do rebanho. Uma das capacidades especiais que um pastor tem é "a palavra da sabedoria" (1 Cor. 12:8). Esta é a capacidade dada por Deus para expressar sabedoria divina em palavras nas quais os santos são ajudados na sua caminhada com o Senhor. É por isso que essas capacidades são chamadas de "palavra" da sabedoria.
É triste dizer que os homens inventaram uma posição na Igreja (um clérigo) que não existe na Palavra de Deus e que "seqüestraram" o termo "pastor" e o conectaram a essa posição feita pelo homem. Essa posição é preenchida por um homem ou uma mulher, formalmente treinado em um seminário e ordenado por homens com a finalidade de pregar e ensinar numa congregação Cristã. Esta posição não-bíblica tem sido aceita pelas massas na profissão Cristã há séculos. Há tanto tempo existe e está tão difundida que é aceita de forma incontestada como sendo o ideal de Deus. Ela pode ser vista desde a basílica de São Pedro em Roma até a menor capela evangélica no campo.
Os irmãos nos anos 1800 que foram envolvidos na recuperação de muita verdade para a Igreja, que foram perdidas há séculos, procuraram nas Escrituras para ver se a posição de um clérigo era bíblica e descobriram que não era. W.T.P. Wolston resumiu sucintamente. Ele disse: "Há uma noção na Cristandade de que um pastor é um homem colocado sobre uma congregação. A ideia está na mente das pessoas, mas não na Escritura!" (The Church: What is it?", p. 173). Estes homens (no anos de 1800) viram nas Escrituras que Cristo prometeu estar "no meio" daqueles que O Espírito de Deus reuniu para o Seu nome (Mateus 18:20). E, com Alguém tão grande e tão competente como Ele, presente entre os santos reunidos, não é necessário nomear um homem para liderar e guiar a congregação – independentemente de quão dotado essa pessoa possa ser. C.H. Mackintosh disse: "Se Jesus está no meio de nós, por que deveríamos pensar em estabelecer um homem como dirigente? Por que não unanimemente e todo o coração, permitir que Ele ocupe a cadeira do Líder e se inclinar a Ele em todas as coisas? Por que estabelecer uma autoridade humana, qualquer que seja sua forma, na casa de Deus? "(The Assembly of God, p.23).
Estabelecer uma homem na assembleia para conduzir as reuniões e administrar a Ceia do Senhor é um grave erro eclesiástico. Não há sequer insinuação de tal coisa na Palavra de Deus, como um homem, mesmo um apóstolo, sendo separado para isso. As Escrituras simplesmente dizem: "ajuntando-se os discípulos para partir o pão" (Atos 20:7). Independentemente do fato de que as Escrituras ensinam que os crentes devem ser reunir para adoração e ministério ao nome do Senhor somente, esperando a direção do Espírito para comandar, alguém dificilmente encontrará uma reunião de oração sem que alguém (um líder de oração) seja nomeado para conduzi-la. Isso não passa de o homem usurpando o lugar de Cristo e do Espírito Santo na assembleia!
Todos os grupos Cristãos dirão que eles possuem a presença do Espírito em seu meio, mas a prova de que realmente acreditamos no poder e na presença do Espírito na Igreja será demonstrada ao permitirmos que o Senhor dirija as coisas nas reuniões da Igreja pelo Espírito. O que as Escrituras requerem de nós é fé no poder do Espírito, ao deixa-Lo em Seu devido direito de empregar quem Ele quiser que fale nas reuniões. Se foi pelo poder do Espírito que Deus criou o mundo e tudo o que nele há (Jó 26:13; 33:4; Gênesis 1:2), certamente o Espírito é capaz de guiar alguns Cristãos que estão reunidos para adoração e ministério! Na verdade, a Escritura diz que esta é uma das razões porque o Espírito foi enviado para habitar na Igreja (1 Cor. 12:4-11). Assim, desde o momento em que o Espírito de Deus foi enviado ao mundo no Pentecostes, será inútil procurarmos no Novo Testamento qualquer tipo de posição na Igreja que, mesmo que de longe, se assemelhasse à de um clérigo.
A Escritura não ensina que deve haver um homem na congregação que tenha o direito oficial ao ministério. De fato, ensina que a cada membro do corpo de Cristo foi dado um dom (1 Cor. 12:7; Ef 4:7; 1 Pedro 4:10; Romanos 12:6-8) e todos os que tem um dom para ministrar a partir da Palavra de Deus devem ter liberdade para exercer o seu dom na assembleia, como o Espírito conduzir (1 Cor. 12: 7-10). No entanto, a posição de um clérigo impede essa manifestação do Espírito nas congregações Cristãs (1 Coríntios 12:1 – Trad. J.N. Darby).
Todo o processo de treinamento e ordenação de um Pastor/Ministro também é uma invenção humana. Não há uma pessoa na Bíblia que foi ordenada pelos homens para pregar a Palavra para a Igreja! W. Kelly disse: "Na verdade, com relação ao que o Novo Testamento fala – e ele fala de forma completa e precisa – nunca alguém foi ordenado pelo homem para pregar o evangelho" (Lectures on the Church of God, p. 183). As pessoas geralmente respondem: "Mas os homens foram ordenados na Bíblia." Sim, a Bíblia nos diz que Paulo e Barnabé ordenaram anciãos em cada cidade em uma de suas jornadas missionárias (Atos 14:23). Mas não há um único exemplo nas Escrituras onde Paulo, Barnabé, Tito, etc., tenham ordenado um pastor, mestre ou evangelista com a finalidade de pregar e ensinar!
Alguém professar ter o poder de ordenar é igualmente algo sem propósito. Todo o valor da nomeação de uma pessoa para um ofício depende da validade do poder daquele que faz a nomeação. A Escritura não permite nenhum poder de nomeação, exceto o de um apóstolo, ou de um enviado que tenha recebido de um apóstolo uma comissão para esse propósito. Mas onde há, nos dias de hoje, alguém que possa comprovar adequadamente ter uma comissão apostólica para a atividade de nomeação? A Palavra de Deus nem sequer sugere a continuação desses poderes ordenadores. W. Kelly concluiu: "Minha afirmação é que, nesta questão da ordenação, a Cristandade perdeu a mente e a vontade de Deus, e é ignorante, mas não sem pecado, lutando por uma ordem própria, que é uma mera desordem diante de Deus" (Lectures on the Church of God, p. 192). É claro que aqueles que professam poder ordenar hoje não têm qualquer autoridade de Deus para isso.

As organizações da igreja na Cristandade não apenas criaram uma posição que não existe na Palavra de Deus, mas também atribuíram vários títulos a essa posição que também não têm a sanção de Deus. É verdade que as palavras "ministro" e "pastor" são mencionadas na Bíblia, mas nunca são usadas como títulos. Um "pastor" é um homem dotado de capacidades espirituais para guiar, aconselhar e pastorear os santos em questões práticas de vida Cristã – não o título de clérigo. A Palavra de Deus ensina que pastores são apenas um dos muitos dons que Cristo deu (Efésios 4:11). Por que estabelecer esse dom na igreja com um título oficial e atribuir  a essa pessoa preeminência sobre os outros? A Escritura condena a entrega de títulos lisonjeiros aos homens (Jó 32:21-22). Uma denominação chama seu clérigo "Pai", mesmo tendo o Senhor dito para que não se fizesse isso (Mt 23: 9). Outras organizações da igreja usam o título "Doutor". (A palavra "doutor" vem do Latim docere, o que significa ensinar, ou seja, um professor.) Outras denominações usam o título, "Reverendo". Isso é ultrajante; A Bíblia nos diz que "Reverendo" é um dos nomes do Senhor! (Salmo 111:9 – Trad. King James)

domingo, 10 de setembro de 2017

UNIGÊNITO

UNIGÊNITO – Este é um termo afetivo que um único filho tem nas afeições de seu pai (Lucas 8:42; João 1:14; 3:16, 18; 1 João 4:9) ou mãe (Lucas 7:12). Gerado, no sentido em que a palavra é usada neste termo, não se refere ao início congênito de sua pessoa - seu nascimento. Uma prova clara disso é que o Senhor era "o Filho unigênito" antes que Ele nascesse neste mundo (João 3:16). A ênfase no termo é no "único", e não no "gerado". Cristo é o único e o unigênito Filho do Pai. Numa tradução livre, poderíamos ler: "o afetuosamente amado".
Portanto, quando o termo "Unigênito" é aplicado ao Senhor Jesus, está se referindo ao Seu incriado relacionamento com Deus, o Pai, como Seu muito amado Filho. Isso denota o prazer do Pai nEle. João 1:14 fala da glória que os homens contemplaram no Senhor quando O viram vivendo no gozo do amor de Seu Pai. João disse, num parêntese, que é semelhante ao que uma criança unigênita tem com seu pai, tendo a total e indivisa atenção e afeto de seu pai. (É por isso que "unigênito do pai" não é escrito em maiúscula no texto, pois se refere ao relacionamento humano de um pai com seu filho e o Espírito de Deus está usando isso para ilustrar a afeição que o Pai tem para com o Filho.). Assim, o Senhor foi o objeto da atenção e deleite indivisos de seu Pai (Mateus 3:17), pois sempre habitou "no seio do Pai" como "o Filho unigênito" (João 1:18; Prov. 8:30) e "o Filho do Seu amor" (Colossenses 1:13).

(NT: J.N. Darby traduz João 1:14 como "E o Verbo Se tornou carne, e habitou entre nós (e temos contemplado Sua glória, uma glória como de um unigênito com um pai), cheio de graça e verdade")

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VELHO HOMEM, O

VELHO HOMEM, O – Esta expressão é encontrada em Romanos 6:6, Efésios 4:22 e Colossenses 3:9. Como o "novo homem", este também é um termo abstrato que descreve o estado corrupto da raça caída de Adão – seu caráter moral depravado. O "velho homem" não é Adão pessoalmente, mas é aquilo que caracteriza a raça caída de Adão. É a encarnação de cada uma das horríveis características que marca a raça. Para ver corretamente o velho homem, precisamos olhar para a raça como um todo, pois é improvável que uma pessoa seja marcada por todas as horríveis características que caracterizam esse estado corrupto. Por exemplo, uma pessoa na raça caída pode ser caracterizada por ser irritada e enganosa, mas ele pode não ser imoral. Outra pessoa pode não ser conhecida por perder o seu temperamento, nem por enganar, mas ele é terrivelmente imoral. No entanto, tomando a raça como um todo, vemos então todas as terríveis características que compõem o velho homem.
Romanos 6:6 e Romanos 8:3 afirmam que Deus julgou o "velho homem" na cruz de Cristo. E Efésios 4:22 e Colossenses 3:9 nos dizem que é algo do qual o crente se  "despojou" ao receber Cristo como seu Salvador. Como parte da posição Cristã, por nossa profissão, temos confessadamente nos despojamos de tudo o que tem a ver com esse estado corrupto. Este despojamento é mencionado no grego no tempo verbal aorista – isto é, tendo acontecido isso uma vez para sempre. Portanto, como Cristãos, confessamos que não estamos mais associados ao "velho homem". Infelizmente, as versões brasileiras traduzem Efésios 4:22-24 como uma exortação, tornando o despojamento do velho homem algo que devemos fazer em nossas vidas como uma coisa diária. Mas na realidade, o despojamento do velho homem é algo que o crente faz de uma vez por todas quando ele toma sua posição com Cristo. A passagem deveria ser lida como: "Tendo-se despojado, quanto ao trato passado, do velho homem ..." (Trad. J. N. Darby).
O "velho homem" é frequentemente usado como sinônimo da velha natureza (a carne) no crente. Este é um mal entendido generalizado entre os Cristãos. Eles dirão coisas como: "O velho homem em nós deseja coisas pecaminosas". Ou "nosso velho homem quer fazer este ou aquele mal ... ". No entanto, essas afirmações confundem o velho homem com a carne. As Escrituras não usam o termo dessa maneira. O Sr. Darby observou: "O velho homem está habitualmente sendo usado para a carne de maneira incorreta" (Food for the Flock, vol. 2, p.228). Uma diferença é que do homem velho nunca é dito estar em nós, enquanto a carne certamente está. F. G. Patterson disse: "Também não acho que as Escrituras nos permitam dizer que temos o velho homem em nós – enquanto ensina mais plenamente que temos a carne em nós" (A Chosen Vessel, página 51). Por isso, não é correto falar do velho homem como sendo algo que vive em nós com apetites, desejos e emoções, assim como a carne. H. C. B. G. disse: "Eu sei o que significa um Cristão que perde o temperamento e diz: ‘é o velho homem’.  Ainda assim a expressão está errada. Se ele dissesse que era "a carne", teria sido mais correto "(Food for the Flock, vol. 2, pág. 287). Se o velho homem fosse a carne, então Efésios 4:22-23 estaria nos dizendo que precisamos nos despir da carne! No entanto, não existe uma exortação na Escritura para nos despirmos a carne. É algo que não acontecerá até que morramos, ou quando o Senhor chegar.
Assim, o "velho homem" foi julgado na cruz e foi despido pelo crente ao receber Cristo como seu Salvador. Embora não haja exortação na Escritura para nos despirmos o velho homem, há uma exortação para "nos despirmos" das coisas que podem estar em nossas vidas que caracterizam o velho homem (Colossenses 3:8-9). Também não há uma exortação na Escritura para os Cristãos "considerar o velho homem morto", como as pessoas costumam dizer. Essa ideia equivocada supõe que é algo maligno vivendo em nós (isto é, a carne). A Escritura diz que devemos considerar-nos "como mortos para o pecado" (Romanos 6:11). Outros falam do velho como sendo morto. Este é um mal-entendido também. Mais uma vez, sugere que era algo que uma vez vivia no crente, mas que morreu.
Sete coisas, o "velho homem" não é:
o    Não é Adão pessoalmente.
o    Não é a carne no crente.
o    Não é nossa antiga posição diante de Deus.
o    Não é sinônimo do primeiro homem.
o    Não é algo que precisa ser morto ou que morreu.
o    Não é algo de que o crente se despoja diariamente.

o    Não é algo que enterramos no batismo.

OFÍCIO

OFÍCIO – Este termo tem a ver com o governo da igreja – a administração da assembleia (1 Tim. 3:1, 10, 13). É algo que é realizado exclusivamente na esfera local da assembleia. Não há na Escritura algo como um governo central nacional ou mundial colocado sobre as assembleias.
A Bíblia ensina que há dois desses ofícios administrativos no governo da igreja:
o    Um bispo (Atos 14:23; 20:17-35; 1 Timóteo 3:1-7; 5:17-18; Tito 1:5-9; Heb. 13:7, 17, 24; 1 Pedro 5:1-4; Rev. 1:20).
o    Um diácono [ministro] (Atos 6: 3; 1 Tim. 3: 8-13).

Os bispos são aqueles que "tomam a iniciativa" na direção da assembleia local em seus assuntos administrativos e estão particularmente ocupados com o estado espiritual do rebanho (1 Tessalonicenses 5:12-13; Heb. 13:7, 17, 24; 1 Cor. 16:15-18; 1 Tim. 5:17 – Trad. J.N. Darby). A versão inglesa King James refere-se a esses homens como "os que têm o domínio sobre vós", mas essa expressão pode levar a um mal entendimento e transmitir a ideia equivocada de que exista uma casta especial de homens que estão "sobre" o rebanho, ou seja. O clero. A tradução correta seria: "Aqueles que tomam a iniciativa entre vós". Isso mostra que eles não devem ter "domínio" sobre o rebanho (1 Pedro 5:3). Este trabalho não se refere necessariamente à condução no ensino ou na pregação pública, mas aos assuntos administrativos da assembleia. Confundir estas duas coisas é entender mal a diferença entre dom e ofício, que são duas esferas distintas na casa de Deus. Alguns dos que tomam essa iniciativa podem não ensinar publicamente, mas são muito bons e úteis quando o podem fazer (1 Tim. 5:17). Esses homens devem conhecer os princípios da Palavra de Deus e poder colocá-los para que a assembleia possa entender o curso de ação que Deus tomaria em algum um assunto particular (Tito 1:9).
        Há três palavras usadas nas epístolas para descrever esses guias na assembleia local:
o    Em primeiro lugar, "anciãos" (Presbuteroi). Isso se refere aos avançados em idade e implica maturidade e experiência em assuntos espirituais (Atos 14:23; 15:6; 20:17; Fl 1:1; 1 Timóteo 5:17-19; 1 Pedro 5:1-4). No entanto, nem todos os homens idosos na assembleia necessariamente assumem o papel dos guias (1 Tim. 5:1; Tito 2:1-2).
o    Em segundo lugar, "bispos" (Episkopoi). Isso se refere ao trabalho que eles fazem – pastoreando o rebanho (Atos 20:28; 1 ​​Pedro 5:2), vigiando as almas (Atos 20:31; Heb 13:17), e admoestando (1 Tessalonicenses 5:12).
o    Em terceiro lugar, eles são chamados de "pastores [guias]" (Hegoumenos). Isso se refere à sua capacidade espiritual de liderar e guiar os santos (Heb 13:7, 17, 24).

Estas não são três posições diferentes na assembleia, mas sim três aspectos de um trabalho que esses homens fazem. Isso pode ser visto da maneira pela qual o Espírito de Deus usa esses termos de forma intercambiável. (Compare Atos 20:17 com 20:28, e Tito 1:5 com 1:7). No livro de Apocalipse, aqueles que estão neste papel são chamados de "estrelas" e também como "o anjo da igreja que está em  [local]"(Apocalipse 1-3). Como "estrelas", eles devem testemunhar da verdade de Deus (os princípios de Sua Palavra) como portadores da luz na assembleia local, fornecendo luz sobre vários assuntos que a assembleia pode se confrontar. Isso é ilustrado em Atos 15. Depois de ouvir o problema que estava preocupando a assembleia, Pedro e Tiago forneceram luz espiritual sobre o assunto. Tiago aplicou um princípio da Palavra de Deus e deu seu julgamento quanto ao que ele acreditava que o Senhor queria que eles fizessem (v. 15-21). Como "o anjo da igreja", eles agem como mensageiros para trazer a mente de Deus na assembleia na realização da ação. Isso também está ilustrado nos versículos 23-29.
Hoje não há qualquer nomeação oficial de anciãos/bispos/guias para este trabalho, como havia na Igreja primitiva (Atos 14:23; Tito 1:5), porque não há apóstolos (ou delegados pelos apóstolos) na Terra para ordená-los. Isso não significa que o trabalho de supervisão não possa continuar hoje. O Espírito de Deus ainda está levantando homens para fazer este trabalho (Atos 20:28). Esses homens não se nomeiam para esse papel, nem são nomeados pela assembleia, como é frequentemente o caso na Igreja hoje. Estes homens certamente seriam aqueles que um apóstolo ordenaria se estivesse aqui hoje. A assembleia os conhecerá pelo cuidado dedicado dos santos, pelo seu conhecimento dos princípios bíblicos e pelo seu sadio julgamento – e deve reconhecê-los como tais, mesmo que não tenham sido nomeados oficialmente.
No discurso de despedida de Paulo para os anciãos de Éfeso, ele deu uma descrição do caráter e do trabalho de um ancião/bispo/guia, usando a si mesmo como exemplo (Atos 20:17-35). Ele cuidadosamente delineou o que eles devem ser:
o    Consistente (vs. 18)
o    Humilde (vs. 19).
o    Compassivo (vs. 19).
o    Perseverante (vs. 19).
o    Fiel (vs. 20).
o    Comprometido (v. 21-24).
o    Energético (v. 24-27).

      Então ele descreveu o que eles devem fazer:
o    Pastorear o rebanho (vs. 28).
o    Vigiar contra dois perigos sempre presentes: de lobos que entram e homens atraíndo discípulos após si mesmos (v. 29-31).
o    Usar os recursos que Deus deu para essa obra: a oração e a Palavra de Deus (vs. 32).
o    Estar envolvido em um ministério de dar em um sentido prático (v. 33-35).

O segundo ofício administrativo na assembleia local é o de um "diácono". Isso diz respeito ao trabalho de atendimento aos assuntos temporais da assembleia – coisas materiais, assuntos financeiras, etc. (Atos 6:3; 1 Timóteo 3:8-13). A palavra "diácono" significa "servo" e pode ser traduzida como "ministro". Como exemplo, quando Barnabé e Paulo saíram na sua primeira jornada missionária, "tinham também a João como cooperador" (Atos 13:5). A palavra "ministro" neste caso pode ser traduzida como "servo" ou "cooperador", e refere-se ao mesmo tipo de trabalho. Por isso, João Marcos ajudou Barnabé e Paulo em coisas temporais no campo missionário. No caso do diácono em 1 Timóteo 3, no entanto, está em conexão com coisas temporais que pertencem à assembleia local.
Atos 6:1-5 ilustra isso. Uma necessidade prática de administrar coisas temporais surgiu na assembleia em Jerusalém. Os apóstolos naquela assembleia disseram: "Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas". A palavra "servir" aqui tem a mesma raiz da palavra "diácono". Certos homens, portanto, foram nomeados para cuidar do "ministério diário" (ou distribuição de fundos) e "servir mesas", para que os apóstolos estivem livres para continuar seu trabalho de ministério da Palavra.
É triste dizer que a Igreja hoje tirou do termo "ministro" o seu significado e uso bíblico e o conectou à posição criada pelo homem de um clérigo com títulos oficiais de "Ministro" e "Pastor". O lugar e o trabalho de um ministro foram convertidos em uma posição proeminente de pregação e ensino na Igreja – muitas vezes com uma equipe de pessoas que ajudam o pregador. Na Escritura, é exatamente o contrário; Um ministro é um servo daqueles que pregam e ensinam! (Atos 13:5; Rom. 16:1)
Uma diferença notável nas qualificações de um bispo e um diácono é que não há menção de que o diácono seja "apto para ensinar". Diz que ele deve manter "o mistério da fé", o que indica que ele deve conhecer a verdade – como todos os santos devem – mas não há nenhuma menção a ele sendo apto ensinar ou pregar. Outra diferença notável entre estes dois ofícios é que, enquanto os bispos não devem ser escolhidos pela assembleia para o seu trabalho, a assembleia escolhe seus diáconos. Mais uma vez, isso é visto em Atos 6. Os apóstolos instruíram a assembleia em Jerusalém para escolher os homens que eles achavam que eram mais adequados para esse trabalho. Há sabedoria nisso: quem melhor conhece o caráter dessas pessoas do que aqueles que andam com comunhão com eles diariamente? Deve também notar-se que, mesmo após a assembleia ter escolhido esses homens, ela não os ordenou, porque a assembleia (naquele tempo ou agora) não tem poder de ordenação. A assembleia trouxe aqueles a quem escolhera aos apóstolos que os nomearam oficialmente para aquele ofício. Um exemplo desse trabalho pode ser visto no "irmão" que tinha boa reputação por sua confiabilidade sendo "escolhido das igrejas" para ajudar nas questões da coleta e trazê-la aos santos pobres em Jerusalém (2 Coríntios 8:18-19).

Se este trabalho temporal é realizado de forma fiel, o diácono/ministro ganhará oportunidades em outras áreas de serviço – particularmente no testemunho verbal do evangelho (1 Timóteo 3:13). A vida bem ordenada e o trabalho fiel de um diácono/ministro na casa de Deus torna-se um testemunho para todos os que estão em sua volta de que ele é um em quem se pode confiar. Isso está ilustrado nas vidas de Estevão e Filipe em Atos 7-8. Esses homens eram diáconos na assembleia em Jerusalém (Atos 6:5), e tendo feito seus trabalhos fielmente, se tornaram ousados na fé e testemunharam do Senhor diante do Sinédrio (Atos 7) e na cidade de Samaria (Atos 8). Estevão tinha um dom de ensino, e Filipe era um evangelista dotado (Atos 21:8). Mas isso não significa que todos os diáconos tenham dons públicos.