quinta-feira, 27 de julho de 2017

JULGAMENTO

JULGAMENTO - A Escritura fala de pelo menos doze julgamentos diferentes:

1)    O JULGAMENTO DO PECADO E DOS PECADOS – Este é o maior de todos os julgamentos nas Escrituras. Tem a ver com o que Deus realizou para Sua própria glória e para a benção do homem, por meio do sacrifício de Cristo na cruz. Como Aquele que suportou o pecado, Ele levou o juízo pelo pecado que contagiou toda a criação (Heb. 2:9; 9:26; Rom 8:3). Isso não significa que todos os homens são libertados do julgamento de seus pecados e são salvos, mas que, pela obra de Cristo na cruz, a salvação dos homens é agora possível, porque a "propiciação" foi feita "pelos de todo o mundo" (1 João 2:2).

2) AUTO-JULGAMENTO – Isto tem a ver com o crente não se poupando, mas julgando todo mau pensamento, palavras vãs e más ações em sua vida, de modo a manter uma boa consciência e assim poder desfrutar de uma comunhão ininterrupta com Deus (1 Cor. 11:31a). A circuncisão de Israel em Gilgal é um tipo disso – tipificando o corte (julgamento) da atividade da carne em nossas vidas (Josué 5). Quando eles vieram daquele lugar, foram vitoriosos sobre seus inimigos (Jos. 10:7, 43, etc.), mas quando eles negligenciaram irem a Gilgal antes de encontrar seus inimigos, eles foram derrotados (Josué 7:1-5 ).

3) JULGAMENTO GOVERNAMENTAL – Este tipo de julgamento tem que ver com a maneira atual de Deus tratar com o Seu povo que deliberadamente se desvia dEle (1 Coríntios 11:32; 1 Pedro 1:17; 3:12b; 4:17). A extensão desta ação governamental ocorre apenas durante seu tempo na Terra; Não tem nada a ver com seu destino eterno. Não envolve apenas aos crentes, mas diz respeito a todos os que estão na casa de Deus – incluindo os crentes meramente professos e aqueles que estão fora da casa. Em relação aos crentes, poderia ser chamado de "o governo do Pai" (1 Pedro 1:17), e em conexão com os incrédulos, poderia ser chamado de "o governo de Deus" (2 Pedro 3).
O julgamento governamental pode ser sentido na vida de uma pessoa por Deus providencialmente permitir que certas coisas negativas aconteçam a alguém para que esta pessoa colha o que semeou (Gálatas 6:7-8). Como o Senhor tem "todo poder" no céu e na Terra (Mateus 28:18), Ele pode tocar nossas vidas de mil maneiras, se assim Ele quiser. Para o crente, esse tipo de julgamento tem como objetivo chamar sua atenção e levá-lo a julgar o que quer que seja que o Senhor trate em sua vida que seja inconsistente com a Sua santidade. Mesmo depois de termos tratado coisas que não estavam corretas em nossas vidas, o Senhor pode ainda deixar-nos ainda continuar sob os efeitos de Seu julgamento governamental para nos manter humildes e dependentes (2 Sam. 12:10).

4) JULGAMENTO ADMINISTRATIVO NA ASSEMBLÉIA – Uma assembleia conforme as Escrituras exercerá disciplina quando for necessário. A assembleia é responsável por manter a santidade e ordem na casa de Deus e deve lidar com os problemas antes que saiam de seu controle. Se a assembleia puder corrigir o curso que uma pessoa está seguindo antes de chegar ao ponto em que deva afastar esta pessoa da sua comunhão, ela terá feito um bom trabalho e libertado esta pessoa de muitos problemas e tristeza em sua vida (Tiago 5:19-20). Isso mostra que a maior parte de toda a disciplina da Igreja deve ser exercida em relação a uma pessoa quando ela ainda está em comunhão.
Existem três áreas principais de preocupação em que uma pessoa pode falhar e um julgamento administrativo de excomunhão pode ser necessário. Os seguintes cenários dão o procedimento geral. Isso não pode ser considerado regra e tratado como se estivéssemos consultando um manual; Cada caso deve ser tratado na sua própria importância e com discernimento espiritual (Gálatas 6:1)
o    Uma Pessoa Mundana – (falha em seu andar). Isso se aplicaria a uma grande variedade de desordens morais (1 Coríntios 5:11, etc.). Aqueles que têm o cuidado do rebanho em seus corações devem tentar "restaurar" uma pessoa surpreendido em uma falha (Gálatas 6:1; João 13:14). Eles procurarão alcançar a consciência da pessoa de forma gentil e atenciosa num esforço de afastá-lo do curso em que ele possa estar. Se isso não o alcançar, o próximo passo será "avisá-lo" com uma repreensão privada (1 Tessalonicenses 5:14). Se a pessoa persiste em seu curso, mas não está em algum pecado em particular que exija a excomunhão, aqueles que têm o cuidado podem encorajar os santos a se "apartarem" da pessoa num esforço para alcançá-lo (2 Tessalonicenses 3:6-15). Se um determinado pecado que requer excomunhão se tornar manifesto a assembleia deve então agir, executando um julgamento vinculativo para "tirar" essa pessoa (Mateus 18:18-20; 1 Coríntios 5:4, 11-13).
o    Uma Pessoa Heterodoxa (defeituosa na doutrina). Se uma pessoa adota uma doutrina errônea, aqueles que têm o cuidado devem "adverti-lo" a não ensinar nenhuma outra doutrina além do que é ortodoxo (1 Timóteo 1:3). Se ele insiste em propor suas ideias errôneas, a assembleia é responsável por "julgar" seus ensinamentos, pedindo que ele cesse e desista de ministrar nas reuniões (1 Coríntios 14:29). Se as doutrinas da pessoa são de natureza blasfema, tocando a Pessoa e a obra de Cristo, a assembleia deve excomungá-lo, porque seus ensinamentos contaminarão os outros (Gálatas 5:9). O apóstolo Paulo fez isso com Himeneu e Alexandre, entregando-os a Satanás para que fossem "ensinados por disciplina a não blasfemar" (1 Timóteo 1:20 – J.N.Darby). A assembleia não pode entregar alguém diretamente a Satanás como um apóstolo poderia fazer, mas pode colocá-lo fora de sua comunhão, onde Deus julga.
o    Uma Pessoa Divisiva - (herética em espírito). Isto tem a ver com uma pessoa que cria uma fenda na assembleia, tendo um espírito de partidarismo em alguma questão. É um mal eclesiástico e o mais difícil de todos os males de se detectar e de se lidar. Uma vez que isso prejudica a unidade da assembleia, ele precisa ser detido. Em primeiro lugar, os irmãos devem se "desviar" aqueles que causam tais divisões (Romanos 16:17-18). Isso não está falando daqueles que seguem em divisões, mas daqueles que as "causam" – os instigadores dela. Uma repreensão pública é apropriada quando alguém divide os santos de alguma forma (Gálatas 2:12-14; 1 Tim. 5:19-20). Se a pessoa continua a forçar suas questões e dividir o rebanho, a assembleia tem motivos para excomunga-lo. Semear discórdia entre os irmãos é uma "abominação" (Provérbios 6: 16-19), uma obra da carne (Gál 5:20), e a(s) pessoa(s) que assim divide(m) os santos deve(m) ser excomungada(s). (Veja Heresia.)

Existem três razões principais porque a assembleia deve levar a cabo julgamentos administrativos. Em primeiro lugar, a assembleia é responsável por não permitir que o nome do Senhor seja associado ao mal diante do mundo (2 Coríntios 7:11). Em segundo lugar, a santidade na assembleia deve ser mantida para que seja conservada como um lugar adequado para a presença santa de Deus (Efésios 2:22; Salmo 93: 5) e impedir que o caráter de fermento do pecado afete os outros (1 Cor. 5:6-8; Gal. 5:9-12). Em terceiro lugar, é realizada com o objetivo de corrigir e restaurar o ofensor. Ele é colocado fora e não devemos nos socializar com ele (1 Coríntios 5:11), para que ele possa ser levado ao arrependimento e ser restaurado ao Senhor. Quando a pessoa está arrependida, a assembleia deve recebê-lo de volta à comunhão (2 Cor. 2:6-8). Esse desligamento de uma decisão vinculativa é também uma ação administrativa da assembleia (Mat. 18:18).

5) JULGAMENTO DAS OBRAS DO CRENTE – Este julgamento está relacionado aos crentes e ocorrerá no céu após o arrebatamento no "Tribunal de Cristo" (Romanos 14:10-11; 2 Coríntios 5:10). O propósito disso não é determinar se a pessoa que está sendo examinada é apta para o céu – o que foi estabelecido pela sua fé no que Cristo realizou na cruz (João 5:24; Romanos 8:1) – mas para encontrar coisas em sua vida que foram feitas para o Senhor e para recompensá-lo devidamente. Alguns Cristãos veem o julgamento de Cristo com tremor, mas não temos nada a temer porque não será um julgamento de nossos pecados no sentido penal.
Não é a pessoa que está sendo julgada no tribunal de Cristo, mas suas obras. O aspecto do julgamento de Cristo com os crentes é como o de um juiz em uma mostra de arte, não como juiz em um tribunal. Sabemos disso "para que no dia do juízo tenhamos confiança" (1 João 4:17).
Alguns pensaram que esta revisão diz respeito apenas aos nossos pecados depois de termos sido salvos. Mas isso não é o que as Escrituras ensinam. Ela diz: "o que tiver feito por meio do corpo" (2 Coríntios 5:10). Para enfatizar este ponto, C. H. Brown perguntou retoricamente: "Você estava em seu corpo antes de você ser salvo? Sim, você estava; então será uma manifestação de toda a sua vida". E. Dennett disse: "A totalidade de nossa vida, o significado de cada ato, seus motivos assim como seus objetivos, serão tornados claros para nós – claros quanto à fonte de todos eles, se nossas atividades surgiram da energia da carne ou se foram produzidas pelo Espírito de Deus" (Christ the Morning Star, pág. 37).
Cada vez que o tribunal de Cristo é mencionado no Novo Testamento, ele é visto de uma perspectiva diferente. Ao juntar essas referências, aprendemos que o Senhor examinará todos os aspectos das nossas vidas. As áreas de revisão são:
o    Nossos caminhos em geral (2 Coríntios 5:9-10).
o    Nossas palavras (Mateus 12:36).
o    Nossas obras de serviço (1 Cor. 3:12-15).
o    Nossos pensamentos e motivos (1 Cor. 4:3-5).
o    Nossos exercícios pessoais em relação a questões de consciência (Romanos 14:10-12).

Há dois motivos principais para o tribunal de Cristo: um tem um comportamento futuro e o outro tem um comportamento presente.

Quanto ao comportamento futuro do tribunal, o grande resultado da revisão será o aumento do louvor eterno de Deus e Seu Filho! Isso será realizado de três maneiras:
A) O Senhor magnificará a graça de Deus diante de nossos olhos, pelo que nossa apreciação pelo o que Ele fez para nos salvar será aprofundada significativamente em nossas almas. Isso exigirá a revisão de nossas vidas inteiras, onde veremos nossos pecados à luz de um Deus infinitamente santo. J. N. Darby disse: "Naquele dia, aprenderemos a verdadeira maldade de nossa carne". Nós perceberemos que nossa dívida era muito maior do que pensávamos. Então, o Senhor nos mostrará a grandeza de Sua graça que suplantou a tudo e tirou nossos pecados sobre um justo fundamento que custou a Cristo as agonias da cruz. Veremos com maior profundidade do que nunca, que "onde o pecado abundou, superabundou a graça" (Romanos 5:20). Como resultado, uma clamorosa erupção de louvores reverberará dos redimidos.
B) Ao rever nossas vidas, o Senhor revelará a sabedoria de Seus caminhos para conosco na Terra. Ele nos levará através dos "porquês" e os "para que" em nossas vidas, passo a passo, e nos mostrará que Ele não cometeu nenhum erro no que Ele permitiu que acontecesse. Naquele dia, Ele irá responder a todas as nossas perguntas difíceis sobre estas coisas. Quando olhamos nossas vidas agora, pode parecer uma confusão emaranhada, mas naquele dia conheceremos a rima e a razão de tudo – e isso terá todo o sentido (Rom 8:28). Ele vai nos mostrar que havia "necessidade de ser" para tudo (1 Pedro 1:6). Conheceremos de maneira mais profunda a verdade do Salmo 18:30: "O caminho de Deus é perfeito". E nós o louvaremos por isso.
C) O Senhor usará a ocasião para determinar nossas recompensas no reino. Naquele dia, Ele encontrará algo para recompensar na vida de cada Cristão (1 Cor. 4:5, Mateus 25:21). Ele não perderá nem a menor coisa que tenha sido feita pelo Seu nome, e nos recompensará por isso (Mateus 10:42). Quando virmos as recompensas que Ele nos dará – muitas das quais serão para coisas que esquecemos –  haverá um fluxo ainda maior de louvores que se derramarão de nossos corações para Ele.

Quanto ao efeito presente do tribunal, uma percepção consciente do que ele envolve, motiva o Cristão a servir o Senhor agora, enquanto há oportunidade. Sabendo que tudo o que fazemos por Ele agora haverá uma recompensa e que há pessoas que estarão diante do tribunal de Cristo em seus pecados para serem sentenciados a uma eternidade perdida no Inferno (se eles não se salvarem), deveria nos motivar a ocupar-nos no Seu serviço e "persuadir os homens" a serem "reconciliados com Deus" (2 Coríntios 5:11, 20).

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Alguns têm imaginado se a revisão ante o tribunal seria uma manifestação pública de nossas vidas diante de todos os santos no céu, ou um assunto privado. J. N. Darby foi convidado a responder a esta pergunta no Bible Treasury (editor W. Kelly). Pergunta:  "2 Cor. 5: 10 – A manifestação será diante dos irmãos ou diante do Senhor somente?" Resposta: "Não encontro nada na Escritura que fala de manifestação para irmãos ..." (Bible Treasury, vol. 1, p. 243; Collected Writings, vol. 13, pág. 359).
W. Scott disse: "Todos sairão do tribunal como um assunto entre cada um e Deus. Não será uma exposição pública diante dos outros" (Exposition of the Revelation, p. 399).
E. Dennett disse: "O tribunal de Cristo... Tudo isso nos será manifestado naquela oportunidade na paciente graça de nosso bendito Senhor, para nós individualmente, não necessariamente para os outros em público" (Christ the Morning Star , Págs. 36-37).
H. D. R. Jameson disse: "’Devemos todos comparecer (ou, como deveria ser lido, ser manifestados) diante do tribunal de Cristo’. Note-se, no entanto, que a palavra é ‘manifestados’, não ‘julgados’, pois nenhum santo jamais entrará em julgamento (ver João 5:24) ... embora nossa manifestação leve tudo à vista (não publicamente, eu julgo, mas como entre o indivíduo e o Senhor)" (Scripture Truth, vol. 1, pp. 317-318).
H. D'A. Champney disse: "Embora seja o tribunal de Cristo, Ele não nos julgará como se fossemos criminosos, mas sim manifestará todos os nossos atos e caminhos ... Não creio que Ele nos exporá diante de outros, porém para nós mesmos, e isto também para magnificar Sua graça e amor que nunca nos desamparou" (Wonderful Privileges - The Bride of Christ, página 10).
F.B. Hole disse: "Ele os conduziu à parte em privado. Assim será com todos nós quando nos achegarmos a Ele em Sua vinda. Isso significará ser manifestado diante de Seu tribunal, e será na privacidade e no descanso de Sua presença" (The Gospels and Acts, p. 162).

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Os "todos", em 2 Coríntios 5:10, inclui todos os homens. Isso significa que o tribunal de Cristo realmente se estende até ao julgamento dos incrédulos no Grande Trono Branco. Embora o caráter do julgamento seja completamente diferente. H.D.R. Jameson disse: "Quanto às palavras "todos", é evidente a partir do contexto que o pensamento perante a mente do Apóstolo inclui a apresentação de todos os homens diante do tribunal (o ‘todo’ no verso 10 alcança seu escopo no pleno significado do "todos" do versículo 14), e como foi indicado pelo falecido Sr. Kelly, a construção grega é, portanto, diferente daquela encontrada em tal Escritura como 2 Coríntios 3:18, onde apenas os crentes são incluídos"(Scripture Truth, vol. 1, p. 318).

6) O JUÍZIO DA CONSUMAÇÃO – Este é um julgamento que o Senhor executará sobre os judeus apóstatas no final da Grande Tribulação, pouco antes que Ele apareça do céu (Isaías 10:22-23; 28:22; Dan. 9:27b). Uma vez que será antes de Sua Aparição, será feito indiretamente por meio de um instrumento levantado por Deus – o Rei do Norte e sua confederação árabe (Salmos 83:1-8, Dan. 11:40-42; Joel 2:1-11, etc.). Esses exércitos devastarão a terra de Israel do Norte até ao Sul, matando cerca de 10 milhões dos 15 milhões de judeus que voltarão na sua pátria naqueles dias (Zacarias 13:8).

7) O JUIZ DA CEIFA – Isto tem a ver com o julgamento do Senhor sobre nações Cristianizadas no Ocidente (Mat. 13:38-42; Apocalipse 14:14-16). Ele será executado quando o Senhor aparecer (Mateus 24:27, 30; 2 Tessalonicenses 1:7-9; Judas 14-15; Apocalipse 1:7; 3:3; 11:15, etc.). Quando o Senhor vier do céu como um Rei Guerreiro, destruirá os exércitos da Besta e lançará o seu líder (com o Anticristo) no lago de fogo (Ap 16:13-15; 19:11-21) . Naquele tempo, o Senhor "enviará Seus anjos" para purificar "o reino dos céus" (isto é, a Cristandade) dos incrédulos. Estes serão crentes meramente professos e aqueles que abandonaram a fé em Deus – apóstatas, ateus, etc. Todos estes serão lançados diretamente no lago do fogo, sem ver a morte (Mat. 13:40-42, 49; 24:39-4). É chamado o julgamento da "ceifa" porque é um trabalho discriminatório de separar o "joio" (os ímpios) de entre o "trigo" (o justo). Os ímpios serão retirados em juízo e os justos viverão no reino milenial de Cristo. Este é o contrário do que acontecerá no Arrebatamento. No arrebatamento, o Senhor tira os crentes da Terra (1 Tessalonicenses 1:10; 4:15-18) e deixa os incrédulos para entrarem no período da tribulação (Mateus 25:10-12).

  8) O JULGAMENTO DO LAGAR (VINDIMA) – Depois que o Senhor retornar (Sua aparição) e destruir os exércitos do Ocidente e os exércitos do Rei do Norte, ele restaurará um restante de todas as 12 tribos de Israel para Si mesmo. Então, enquanto Israel recém-restaurado estiver habitando com segurança em sua terra sob a proteção do Senhor, uma confederação final dos exércitos gentios sob Gog (Rússia) fará um ataque contra eles (Eze 38-39). O Senhor defenderá Israel desses exércitos rugindo de Sião para destrui-los. Este é o julgamento do "Lagar" (Vindima) (Apocalipse 14:17-20, Isaías 63:1-6, Joel 3:12-14). É chamado de "o lagar" porque, como as uvas em um lagar são esmagadas indiscriminadamente, assim será o julgamento dos pecadores nesta enorme confederação. Este julgamento contrasta com o julgamento da ceifa no qual alguns são selecionados para julgamento e outros não. O Senhor sairá de Jerusalém para a terra de Edom (uma terra transjordaniana a cerca de 320 quilômetros a sudeste de Israel - Apocalipse 14:20) e destruirá o longo comboio de exércitos confederados de Gog que se reuniram lá (Isaías 34:1-10; 63:1-6; Hab. 3:3-16). Este julgamento marcará o fim de todas as guerras (Salmo 46:9, Zacarias 9:10).

9) O JULGAMENTO DE SESSÃO – Após os julgamentos guerreiros do Senhor terem terminado (a Ceifa e o Lagar), Ele conduzirá um julgamento de sessão em conexão com o remanescente das nações gentias que estão situadas fora da terra profética (Mateus 25:31-46). Uma vez que todos os poderes hostis terão sido subjugados pelos anteriores juízos guerreiros do Senhor, este será um julgamento pacífico diante do "trono da Sua glória". Este trono não está no céu, mas na Terra. Não é o julgamento dos mortos, como é o julgamento do "grande trono branco" (Apocalipse 20:11-15), mas sim um julgamento de pessoas vivas entre as nações remotas do mundo. O critério sobre o qual as pessoas destas nações são julgadas é simplesmente se eles foram ou não hostis aos mensageiros do evangelho do reino ("Meus irmãos") – não se eles pessoalmente acreditaram da mensagem. Aqueles que foram hostis em relação aos mensageiros do Senhor e rejeitaram sua mensagem serão julgados como uma nação "bode", e os indivíduos culpados daquela nação serão lançados no lago de fogo pelos anjos que serão os executores deste julgamento (Mateus 25:31).

10) JULGAMENTO MILENIAL – Quando Cristo estabelece Seu reino milenial, Ele "reinará em justiça" (Isaías 32:1, 61:11). O mundo inteiro será forçado a viver em justiça no que o Senhor chamou de "a regeneração" (Mateus 19:28), e aqueles que optarem por fazer de outra forma serão mortos (providencialmente) por um julgamento do Senhor. Na manhã do dia seguinte, o ofensor cairá morto! (Salmo 34:12-16; Salmo 101:5-8; Sof. 3:5; Zacarias 5:1-4)

11) O JULGAMENTO DOS ANJOS (MAUS) – Após o Milênio, no fim do tempo, haverá o julgamento dos anjos maus (1 Coríntios 6:3), e eles serão lançados no lago de fogo com o diabo (Mateus 25:41). Os santos glorificados estarão envolvidos na avaliação deste julgamento. O julgamento determinará o grau de punição atribuído a cada anjo caído. Os anjos bons ou "eleitos" (1 Tim. 5:21) não fazem parte deste julgamento; Eles não precisam ser julgados.

12) O JULGAMENTO DO GRANDE TRONO BRANCO – Este julgamento também ocorrerá no final do Milênio, quando o tempo tiver cessado. Isso diz respeito aos mortos ímpios. Todos os que morreram em seus pecados sem fé, desde o início do tempo até o fim do tempo serão julgados pelo Senhor em Seu "grande trono branco" (Isaías 24:22, Apocalipse 20:11-15). Os mortos ímpios serão ressuscitados naquele momento e serão sentenciados pelos pecados que cometeram (Apocalipse 20:13). Eles serão lançados no lago de fogo (Inferno) e punidos lá eternamente (Mat 25:46). O seu julgamento será "segundo as suas obras". Isto significa que alguns no Inferno sofrerão mais, e outros menos, porque todos têm um número diferente de pecados e um grau diferente de responsabilidade (Lucas 12:47-48). Deus não permitirá que ninguém sofra na eternidade por algo que ele ou ela não fez. Não haverá crianças ou pessoas com deficiências mentais punidas neste julgamento (Mateus 18:10); Deus não responsabiliza pessoas por suas ações se não forem ​​mentalmente capazes. Os "grandes e pequenos" que serão julgados naquela época não são crianças e adultos, mas pequenos pecadores e pecadores proeminentes deste mundo que morreram em seus pecados.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

ISRAEL DE DEUS, O

ISRAEL DE DEUS, O – Esse terno refere-se aos crentes no Senhor Jesus Cristo que foram salvos da nação de Israel (Gálatas 6:16; Atos 26:17 – "Livrando-te deste povo"). Eles são "um resto, segundo a eleição da graça" daquela nação (Romanos 11:5) e agora fazem parte da Igreja de Deus.

ESTADO INTERMEDIÁRIO, O

ESTADO INTERMEDIÁRIO, O – Este termo não é encontrado nas Escrituras, mas a verdade que ele transmite certamente sim. Refere-se à condição de uma pessoa após a morte, mas antes da ressurreição. O estado intermediário às vezes é referido como o estado "separado", porque na morte as três partes que compõem um ser humano (espírito, alma e corpo) estão separadas (Tiago 2:26). O espírito e a alma ficariam conscientes no Hades – o mundo invisível das pessoas desencarnadas – e o corpo ficaria no túmulo.
Se uma pessoa morre na fé, sendo um crente, ele estaria "despido" no estado intermediário (2 Coríntios 5: 4). Seu espírito e alma estariam "com Cristo" no "paraíso" (Filipenses 1:23, Lucas 24:51; Atos 1:9-10; 3:21; 7:55) enquanto o seu corpo estaria no túmulo, aguardando a ressurreição. Seu espírito e alma estarão em um estado que é "muito melhor" do que qualquer coisa que ele teria experimentado enquanto estava vivo no corpo na Terra (Filipenses 1:23).
As almas e os espíritos daqueles que morreram sem fé também estão no estado intermediário no Hades, mas estão em um estado completamente diferente do que os justos. Estando perdidos, eles "lamentam" em "tormentos" (Lucas 16:23; Jó 14:22; 30:24) e aguardam a ressurreição quando eles terão seu julgamento eterno sentenciado no Julgamento do Grande Trono Branco e então serem lançados no Inferno, "o lago do fogo" (Apocalipse 20:11-15). (Veja o Inferno.)

O estado intermediário é, portanto, uma condição temporária dos mortos. Todos os que morreram estão neste estado separado – tanto os justos como os injustos. Mas eles não permanecerão lá para sempre. Todos serão ressuscitados, mas em momentos diferentes, e assim terão destinos copmpletamente diferentes. (Veja Hades e Ressurreição.)

HERANÇA, A

HERANÇA, A Há dois aspectos da herança do Cristão no Novo Testamento:
o    São coisas materiais – ou seja, todas as coisas criadas no céu e na Terra (Efésios 1:11, 14, 18, Col. 3:24)
o    São coisas espirituais que os crentes possuem em Cristo – isto é, nossas bênçãos espirituais (Atos 20:32; 26:18; Col. 1:12; 1 Pedro 1:4).
Vista como coisas materiais, é chamada "Sua herança (de Cristo)" (Efésios 1:18) e "nossa herança" (Efésios 1:14) porque somos "herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo" (Romanos 8:17). Paulo disse: "Tudo é vosso" (1 Cor. 3:21), e isso inclui a herança. É algo que é nosso agora (Efésios 1:11 – "No qual também obtivemos uma herança" (J.N.Darby). Foi comprado para nós pela obra de Cristo na cruz (Heb. 2:9 – "provasse a morte por tudo" (J.N.Darby). No entanto, enquanto ela já nos pertence, ainda não foi redimida (Efésios 1:14). A redenção da herança tem a ver com a libertação com a qual Cristo a libertará do pecado, de Satanás e do mundo, para que possa ser usada para mostrar a Sua glória no mundo vindouro (o Milênio). Isso ocorrerá na Aparição de Cristo por meio de seus juízos guerreiros.

Vista como coisas espirituais, a herança tem a ver com o que os crentes possuem espiritualmente em Cristo, ou seja, nossas bênçãos espirituais (Efésios 1:3). Atos 26:18; Colossenses 1:12; e 1 Pedro 1:4 fala dela vista desta forma. J. N. Darby traduz "uma porção" em Atos 26:18 (margem) e em Colossenses 1:12 para distingui-la do lado material da herança. Visto da perspectiva do Cristão na Terra, este aspecto da herança é visto como estando "no céu". J. N. Darby disse: "A herança é a herança de todas as coisas que Cristo criou. Mas em 1 Pedro ou em Colossenses 1, ela está no céu" (Notes and Jottings, p. 101).

INDIGNAÇÃO, A

INDIGNAÇÃO, A – Este é um curto período de tempo na profecia (cerca de 75 dias) que ocorrerá no final da Grande Tribulação, mas antes do início do Milênio (Isaías 10:5, 25; 26:20; Dan 8:19; 11:36, etc.). Muitos detalhes na profecia ocorrem neste resumido período de tempo no qual cada aluno que estuda profecia precisa notar e entender. Durante este tempo, os exércitos gentios atacarão Israel (na verdade os judeus), e depois de ter destruído a multidão dos judeus na terra (que são apóstatas), o Senhor intervirá a favor da nação vindo do céu pessoalmente (a Aparição) para julgar estes exércitos e restaurar um remanescente das doze tribos de Israel. Posteriormente, Ele defenderá Israel de qualquer outro ataque (por exemplo, Gog) e começará o Seu reino milenial, momento em que o restante de Israel será abençoado num relacionamento baseado num novo concerto com Ele (Jeremias 31:31-34). Este período é chamado de "a indignação", porque é quando o Senhor liberará Sua indignação sobre a multidão apóstata dos judeus na terra que O rejeitaram e receberam o Anticristo (Isaías 57:9; Apo. 13:11-18). Sua indignação também será derramada sobre israelitas infiéis dentre as dez tribos (Eze. 11:9-10; 20:33-38; Apocalipse 14:18-20).
Para cumprir Sua indignação contra os judeus apóstatas, o Senhor empregará "o Rei do Norte" e sua confederação árabe de dez países (Salmo 83:6-8). Essas nações islâmicas têm um ódio profundo e de longa data contra Israel e ficarão felizes em unir forças para atacá-los e destrui-los (Salmo 83:1-5). Eles irão varrer a terra de Israel do Norte para o Sul e devastá-la, matando cerca de 10 milhões de judeus em questão de alguns dias! (Dan 11:40-41; Zacarias 13:8) Isto é chamado de "a consumação" (Daniel 9:27; Isaías 10:22-23; 28:22 – Trad. Brasileira).
Depois que estes exércitos terem passado pela terra de Israel, entrarão no Egito e conquistarão esta terra também (Dan 11:42-43). Quando o Rei do Norte estiver indo a caminho do Egito, os exércitos da "Besta" (a confederação de dez países no Ocidente – Apocalipse 13:1; 17:12-14) entrarão na terra de Israel desde o oeste para defender este território que eles acreditam ser deles (Números 24:24). É neste momento que o Senhor virá do céu com os Seus exércitos de homens glorificados (Sua Aparição) e destruirá os exércitos da Besta "pelo esplendor da Sua vinda" (2 Tess. 1:8; 2 Tess. 2:8; Apo. 16:13-15; 19:11-18).
Ao mesmo tempo, o Senhor executará o julgamento da "ceifa", enviando Seus anjos para purificar a terra profética ocidental (Cristandade) de todos os que rejeitaram o evangelho da graça de Deus. Aqueles tratados neste julgamento serão crentes meramente professos que abandonaram sua confissão de fé em Deus (apóstatas). Este será um julgamento discriminatório (seletivo), onde os anjos tiram os incrédulos da Terra e os lançam vivos no lago de fogo (Mat. 13:37-43; 24: 39-41; Apo. 14:14-16). Os primeiros destes serão Besta e o Anticristo (Apocalipse 19:20).
Quando o Rei do Norte estiver no Egito, ele ouvirá notícias de que um Guerreiro celestial apareceu e se virará para o norte para encontrá-Lo em batalha na terra de Israel (Dan 8:25; 11:44). O Senhor terá indignação contra estes exércitos e executará o Seu julgamento sobre eles (Dan 11:45; Isaías 30:27-33; Isaías 59:19b; Joel 2:20; Zacarias 9:8; 14:3).
Depois que o Senhor julga as potências ocidentais sob comando da Besta e os exércitos do Rei do Norte, Ele restaurará a nação de Israel. Este será um remanescente de todas as doze tribos, e ocorrerá em duas fases:
o    O Senhor Se mostrará ao remanescente dos judeus (as duas tribos) que se lamentarão em arrependimento, motivo pelo qual serão restaurados a Ele (Mat 24:30, Zacarias 12:9-13: 1).
o    O Senhor reunirá as dez tribos de volta à terra de Israel e restaurará um remanescente deles para Si mesmo (Mateus 24:31; Eze 11:9-10; 20:34-38; Zacarias 13:4-6 ).
Então, quando um remanescente de todas as doze tribos de Israel estiver morando em segurança na sua terra sob a proteção do Senhor, será atacado pela última confederação das nações dos gentios sob Gog – Rússia e seus confederados (Ezequiel 38-39). Naquele tempo, o Senhor defenderá Israel destes exércitos rugindo desde Sião para destrui-los no que se chama "julgamento da vindima" (Apocalipse 14:17-20, Isaías 63:1-6; Joel 3:12-14). O Senhor irá de Jerusalém para a terra de Edom (as terras da Transjordania, ao sudeste de Israel) para destruir os exércitos confederados de Gog que serão reunidos lá (Isaías 34:1-10; 63:1-6; Hab 3:3-16). Depois disso, os exércitos do Israel restaurado sairão e possuirão sua inteira herança prometida a Abraão, expulsando quaisquer pessoas que restarem em sua legítima herança (Salmo 47:3; Salmo 108:7-13; Isa. 11:14 Jeremias 51:20-23 Ezequiel 39:10; Obad 17-20; Miquéias 4:13; 5:8). Isso marcará o fim de todas as guerras e o fim da Indignação (Salmo 46:9, Zacarias 9:10). Depois disso, o Milênio (o reinado de 1000 anos de Cristo) começará.
Daniel 11:36 indica quando "a Indignação" começará. O profeta afirma que o rei voluntarioso dos judeus (o seu falso messias – o Anticristo) reinará "até que se cumpra a indignação" (trad. Brasileira). Outras passagens das Escrituras indicam que ele reinará na terra de Israel como o rei dos judeus até o momento em que o Rei do Norte ataque, momento em que ele fugirá de seu posto (Isaías 22:19, Zacarias 11:17). Apocalipse 13:5 indica que a Besta e o Anticristo continuarão em seus papéis por 42 meses (3 anos e meio), que é a segunda metade da semana profética de Daniel (Dan 9:27), o período da Grande Tribulação (Apo. 11: 2). Juntando estas coisas, aprendemos que a Indignação começa no fim da Grande Tribulação, com o ataque do Rei do Norte. Isaías 10:25 nos diz quando "a Indignação" terminará. O profeta indica que acabará quando o Senhor julgar Gog e sua confederação – visto em Isaías como o segundo ataque Assírio (Isaías 10:26-34).
Isso significa que a indignação durará apenas 75 dias. Isso pode ser calculado a partir de três versos em Daniel 12. Estes versículos indicam três extensões para a septuagésima semana de Daniel (Daniel 9:27) – cada uma se estendendo a partir do meio da semana (Dan 12:11; Mateus 24:15 ). Essas datas marcam três etapas da libertação de Israel.
o    Aos 1.260 dias ou "um tempo, de tempos e metade de um tempo" (Daniel 12:7; Apocalipse 11:3; 12:6, 14), o remanescente dos judeus é libertado do Anticristo.
o    Em "mil duzentos e noventa dias" (1.290 dias) (Daniel 12:11), o remanescente dos judeus é libertado do Rei do Norte.
o    Em "mil trezentos e trinta e cinco dias" (1.335 dias) o remanescente de todas as doze tribos de Israel é libertado de Gog (Dan 12:12).

Assim, os 75 dias (2 meses e meio) da Indignação é o período desde 1.260 dias até 1.335 dias. Isso mostra que a libertação de Israel não ocorrerá em um dia.

ENCARNAÇÃO DE CRISTO, A

ENCARNAÇÃO DE CRISTO, A – Esse termo não é encontrado nas Escrituras, mas a verdade que ele transmite com certeza é. Refere-se ao fato de o Senhor unir a humanidade com a Sua Pessoa e Se tornar um Homem. Isto significa que Ele teve um "espírito" humano (João 11:33; 13:21), uma "alma" humana (Mateus 26:38, João 12:27) e um "corpo" humano (Heb 10:5). No entanto, ao fazer isso, Ele não declinou de Sua divindade. Assim, Ele era totalmente um Homem e totalmente Deus. Esta união das naturezas divina e humana é inescrutável para a mente do homem (Mateus 11:27). Não nos somos chamados a compreendê-la, mas simplesmente para aceitá-la e crer. Esta encarnação ocorreu quando Maria "concebeu" do Espírito Santo (Mat. 1:20) e Ele "nasceu" no mundo (Lucas 1:35). Veja João 1:14; Romanos 1:3; Filipenses 2:5-8; 1 Timóteo 3:16a.
O Senhor não tomou simplesmente um corpo humano como uma capa dentro da qual o Seu Espírito divino habitou - o erro do Apolinarianismo. Havia uma união verdadeira entre tudo o que há nEle como pessoa divina com tudo o que constitui um ser humano. Tornar-Se um homem era uma condescendência inacreditável, pois esta união da natureza divina e da humana é algo que será para sempre. O Senhor viveu e Se moveu e teve Seu ser neste mundo como um Homem, e Ele entregou Sua vida na morte como um Homem, e assim Ele passou ao estado intermediário (Sua alma e espírito foram temporariamente separados de Seu corpo), mas mesmo na morte, Ele ainda era um Homem (Atos 2:27). Na ressurreição, Ele tomou Seu corpo novamente e ascendeu à direita de Deus em um estado glorificado (1 Timóteo 3:16b) - e Ele permanecerá um Homem por toda a eternidade!
Quando a Escritura fala da humanidade de Cristo, ela cuidadosamente se guarda da ideia de que Ele tomou parte na natureza do pecado caído que temos. Por exemplo, Hebreus 2:14 diz: "como os filhos participam (κοινωνέω) da carne e do sangue, também Ele participou (μετέχω) (tomou parte) das mesmas coisas". Isto significa que "como" os humanos tomam parte na humanidade (a qual envolve três partes – um espírito humano, uma alma humana e um corpo humano), Cristo também participou "das mesmas coisas". Em outras palavras, Ele Se tornou um Homem real. No entanto, ao falar da humanidade de Cristo, o Espírito usa uma palavra diferente do que Ele usa para descrever nossa humanidade. Os "filhos", diz o escritor, são "participantes" da carne e sangue. A palavra grega traduzida como "participantes" (koinoneo) refere-se a algo universal compartilhado por toda a humanidade. Isto é verdade para todos os homens, pois todos participamos plenamente da humanidade – até a participação na natureza do pecado. No entanto, quando o versículo continua a falar de Cristo tornando-Se um Homem, o escritor usa outra palavra grega. Ele diz que o Senhor "tomou parte" (metecho) no mesmo. Esta palavra indica um compartilhamento de algo, sem especificar o grau dessa partilha, e, portanto, indica que, quando Cristo Se tornou Homem, a Sua humanidade não chegou tão longe a ponto de compartilhar da humanidade caída.
Além disso, Hebreus 4:15 afirma que a humanidade do Senhor era "sem pecado". O "pecado" (singular) é frequentemente usado nas epístolas do Novo Testamento para indicar a velha natureza caída do pecado. Este versículo, portanto, deixa claro que o Senhor não teve uma natureza humana caída, como têm todos os descendentes do Adão caído (Salmo 51:5).

A encarnação, portanto, é diferente das manifestações divinas no Antigo Testamento. Estas foram ocasiões em que Cristo tomou a forma humana e interagiu com os homens para determinados fins. Muitas vezes, a Escritura usa o título "Anjo" para indicar isso (Gênesis 16:7; 18:1-33; 32:24-32; Ex. 3:2; 4:24; 14:19; Josué 5:13- 15; Juízes 6:11-24; 13:3-5; 9-21; 1 Crôn. 21:18-30, etc.). Naquelas ocasiões, o Senhor apareceu numa forma humana, mas não era a união das duas naturezas (divina e humana) envolvidas em Sua encarnação.

terça-feira, 4 de julho de 2017

EM CRISTO E CRISTO EM VOCÊ

EM CRISTO E CRISTO EM VOCÊ - Estas são expressões técnicas usadas pelo apóstolo Paulo para indicar a posição e o estado do Cristão.
"Em Cristo" é um termo posicional indicando a ligação do Cristão com Cristo no mesmo lugar de favor que Ele está diante de Deus. Literalmente, significa estar "no lugar de Cristo perante Deus" (Romanos 6:11, 23, 8:1, 39, etc.). Este lugar foi assegurado para nós por meio da ressurreição de Cristo dentre os mortos e de Sua ascensão à mão direita de Deus como um homem glorificado. É uma posição que pertence a todo crente no Senhor Jesus Cristo, independentemente do seu estado de alma porque tem a ver com a imutável posição do Cristão perante Deus. Mesmo que um Cristão morra, ele ainda é visto como estando "em Cristo"! (1 Tessalonicenses 4:16; Rom 8:38-39). É nossa ligação com Ele como Cabeça da nova raça na nova criação, da qual nós somos os Seus "muitos irmãos" (Romanos 8:29; 2 Coríntios 5:17). Assim, o termo indica a posição especial que os Cristãos têm que os santos do Antigo Testamento não tiveram, pois, em seus dias, Cristo ainda não havia vindo, nem Ele havia subido ao alto como um Homem glorificado. Na verdade, todas as nossas distintas bênçãos Cristãs estão "em Cristo". (Veja Bênção.)
"Cristo em você" é um termo que muitos cristãos geralmente entendem mal. Eles pensam que isso significa que Cristo habita pessoalmente neles. Por isso, vêm as frases muitas vezes ouvidas, "Cristo habita em mim", ou "Jesus vive em mim"! Embora seja verdade que o crente é habitado por uma Pessoa divina, não é Cristo Quem habita em nós, mas o Espírito Santo (João 14:17; Atos 5:32; Rom 5:5; 1 Coríntios 6:19 1 Tessalonicenses 4:8; Tiago 4:5; 1 João 3:24). Não ajudado muito frases de evangelistas modernos como: "Abra seu coração e deixe Jesus entrar" ou "Peça a Jesus para entrar em seu coração", etc. A Escritura não apoia a ideia de que há duas Pessoas divinas que habitam no Cristão. É verdade que Ele é Onipresente (um atributo da deidade) e que em espírito está em todo o lugar, mas Ele pessoalmente reside no Seu próprio corpo humano glorificado no céu.

Certas passagens da Escritura dizem: " estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim"(Gálatas 2:20). "Cristo em vós, esperança da glória" (Colossenses 1:27). " Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele" (João 6:56). "Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim, e Eu em vós" (João 14:20). Essas passagens não estão se referindo a Cristo habitando pessoalmente nos crentes, embora seja compreensível como uma pessoa poderia erroneamente concluir isso deles. Em vez disso, eles estão se referindo a um estado subjetivo nos crentes, que resulta por eles terem a vida de Cristo. Esses versículos estão simplesmente afirmando que temos a Sua própria vida e natureza em nós e, portanto, a capacidade de ter suas características morais formadas e exibidas em nós pelo Espírito (2 Coríntios 3:18). Portanto, Cristo está em nós moralmente, mas não pessoalmente. Colossenses 1:27 está se referindo a isso em um sentido coletivo – do qual "vós" indica. Comentando este versículo, W. Kelly disse: "É a vida de Cristo em nós em sua manifestação completa do seu caráter de ressurreição" (Lectures on Colossians, pág. 108). Um outro expositor disse: "É dito em Colossenses que o mistério é "Cristo em vós, esperança da glória" como tendo um efeito presente na reprodução das características de Cristo nos gentios" (Precious Things, vol. 3, p.120). Portanto, Cristo está conosco em espírito – como uma Pessoa onipresente (Mateus 18:20; 28:20; Heb 13:5), mas Ele não habita em nós pessoalmente, como o Espírito Santo habita.

IMUTABILIDADE

IMUTABILIDADE - Refere-se ao caráter imutável de Deus – Sua invariabilidade (Mal 3:6; Heb. 1:12; 13:8; Tiago 1:17). É um atributo essencial da deidade. Em conexão com os tratos do Senhor com Abraão, há duas coisas que se diz serem imutáveis: a Palavra da promessa de Deus e o juramento que Ele fez (Heb 6:17-18).

segunda-feira, 3 de julho de 2017

IMORTALIDADE E INCORRUPTIBILIDADE

IMORTALIDADE E INCORRUPTIBILIDADE - Refere-se ao estado imortal no qual os crentes serão mudados quando forem glorificados. Para os santos do Novo e do Antigo Testamento, isso ocorrerá no momento do arrebatamento (1 Cor. 15:51-56; Heb. 11:40). Para a porção martirizada do remanescente judaico crente, será no final da Grande Tribulação (Apocalipse 14:13). Os santos do Antigo Testamento não sabiam muito a respeito da vida após a morte, mas essa verdade já foi trazida à luz pelo evangelho. Agora sabemos que há "vida" para a alma e "incorrupção" para o corpo (2 Tim. 1:10).
Como mencionado, no momento do arrebatamento, o Senhor efetuará uma mudança nos santos que morreram, que Paulo declara como: "que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade" (1 Coríntios 15:53a). O Senhor também efetuará uma mudança nos os santos vivos que Paulo afirma como: "isto que é mortal se revista da imortalidade" (1 Cor. 15:53b). Essa mudança será tanto moral quanto física. Suas almas e espíritos se livrarão da naturezas caída de pecado, e assim eles serão feitos como Cristo moralmente (1 João 3:2). Além disso, seus corpos serão feitos como o corpo de Cristo fisicamente (Filipenses 3:21).

A alma de todos os homens é imortal – independentemente de uma pessoa ser salva ou não. Gênesis 2:7 diz: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da Terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente". Isso mostra que os espíritos e almas dos homens são "viventes" e não "morrente". Todos esses viverão para sempre, seja no gozo da bênção de Deus ou sob a condenação. Mesmo depois que uma pessoa morre e seu corpo é sepultado, seu espírito e sua alma continuam vivos. Em relação a isso, o Senhor disse: "Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos [os mortos]" (Lucas 20:38). Enquanto a alma do homem é imortal, seu corpo é "mortal" - sujeito à morte (Jó 4:17; Romanos 6:12; 8:11; 1 Coríntios 15:53-54; 2 Coríntios 4:11). A boa notícia é que chegará um momento para o crente quando aquilo que é "mortal" será "absorvido pela vida" (2 Coríntios 5:4).

IMAGEM E SEMELHANÇA

IMAGEM E SEMELHANÇA - Quando Deus criou o homem, Ele disse: "Façamos o homem à Nossa imagem, segundo a Nossa semelhança" (Gênesis 1:26). A "imagem" tem a ver com o homem ter sido colocado numa posição de representante visível de Deus na criação (1 Coríntios 11:7). A "semelhança" tem a ver com o homem sendo feito moralmente como Deus, sem pecado (Gênesis 5:1, Tiago 3:9).
Quando o homem caiu, ele deixou de ser como Deus, moralmente. Por isso, em seu estado caído, o homem perdeu sua semelhança com Deus. Daí em diante não mais dito o homem ser "à semelhança de Deus". Na verdade, a posteridade de Adão é dita "à sua semelhança" (Gênesis 5:3), o que implica que Adão passou a seus descendentes sua natureza pecaminosa, que ele adquiriu na queda (Romanos 5:12; Salmos 51:5). No entanto, mesmo em seu estado caído, do homem é dito ser "à imagem de Deus" (Gênesis 9:6). A queda não o absolveu de sua responsabilidade de representar Deus. Mas triste é dizer que essa imagem no homem foi manchada pelo pecado. O homem não representou Deus devidamente na criação.
Quando Cristo veio ao mundo, a Escritura diz que Ele era "a imagem de Deus" (2 Cor. 4:4; Col. 1:15; Heb. 1:3). Ele não foi "feito" à imagem de Deus (como o homem foi) – Ele era "a imagem de Deus" em virtude de Quem Ele era. Assim, Ele representou perfeitamente a Deus como Cabeça da criação. No entanto, as Escrituras não dizem que Cristo era "à semelhança de Deus", como o homem era quando Deus o criou o homem. A razão para isso é que, quando Cristo andou aqui, Ele não era como Deus, Ele era Deus (João 1:1). As Escrituras dizem que ao entrar na Humanidade, Cristo foi "feito semelhante aos homens" (Filipenses 2:7 – Trad. Brasileira, Romanos 8:3). Isso não significa que Cristo tomou a carne pecaminosa em união Consigo mesmo; Ele não era semelhante ao homem moralmente. Esta afirmação refere-se ao fato de o Senhor ser semelhante aos homens em constitucionalmente – tendo um espírito humano (João 13:21), uma alma humana (João 13:27) e um corpo humano (Heb 10:5). Embora que fosse  um Homem real, Ele era "sem pecado" (Heb 4.15) – isto é, sem a natureza pecaminosa.

A boa notícia é que Deus, em graça, criou uma nova raça de homens sob Cristo (2 Coríntios 5:17; Ef 2:10; Apocalipse 3:14), na qual tanto a semelhança como a imagem são recuperadas. Os "muitos irmãos" (crentes) de Cristo na nova raça agora podem exibir os traços morais de Deus e, assim, representar a Deus na Terra convenientemente (Rom 8:29; Heb. 2:11). A epístola aos Efésios se concentra na "semelhança de Deus" sendo exibida nesta nova raça (Efésios 4:24-32), e a epístola aos Colossenses se concentra no fato de que a nova raça é "renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou"(Colossenses 3:10). Assim, a nova raça sob Cristo recuperou aquilo que a velha raça perdeu sob Adão.